O levantamento do Cepea mostra que os preços recebidos pelos produtores rurais avançaram 3,62% em setembro, puxados por uma alta de 6,58% nos grãos. A valorização dos alimentos no campo superou o aumento dos produtos industriais, revertendo a queda vista no acumulado do ano.
Os preços pagos aos produtores rurais no Brasil subiram 3,62% em setembro na comparação com agosto. O principal motor dessa alta foi a valorização dos grãos, como soja, milho e arroz. Os dados são do Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA), divulgado pelo Cepea nesta quinta-feira (15).
- Os grãos lideraram o aumento, subindo 6,58% no mês.
- Soja, milho, arroz, algodão e trigo foram os grandes destaques positivos.
- A pecuária também teve alta, de 2,08%, puxada por boi, suíno, frango e leite.
- Houve queda de 3,98% no grupo de hortifrutícolas (hortaliças e frutas).
- O aumento no campo foi maior que a inflação dos produtos industriais no mesmo período.
Destaques de valorização no campo
O grupo de grãos foi o destaque absoluto do mês, com avanço de 6,58%. Entre os produtos que puxaram essa alta estão soja, milho, arroz, algodão e trigo. A pecuária também apresentou bons resultados, com alta de 2,08%, impulsionada pelos preços de boi gordo, frango vivo, suíno vivo e leite. No setor de cana-de-açúcar e café, o avanço foi mais tímido, de 0,15%.
Por outro lado, os produtos do grupo de hortifrutícolas sofreram uma queda expressiva de 3,98%. A retração foi causada principalmente pela queda nos preços de ovos, banana, laranja, uva e café. Essa combinação de altas e baixas resultou no crescimento geral do índice de 3,62%.
Campo supera indústria em setembro
O desempenho dos preços agrícolas foi superior ao dos produtos industriais em setembro. Enquanto o índice agropecuário subiu 3,62%, o Índice de Preços por Atacado (IPA-OG-DI), que mede a inflação dos bens industriais, avançou apenas 1,57%. Isso indica que os insumos do agro valorizaram mais que a produção industrial no período.
No mercado internacional, os preços dos alimentos em dólar subiram 1,48% em setembro. No entanto, o fortalecimento do real frente ao dólar reduziu o impacto dessa alta no Brasil. Assim, os preços internacionais dos alimentos, quando convertidos para reais, registraram um aumento de apenas 1,31%.
Acumulado de 2026 ainda aponta queda
Apesar da recuperação de setembro, o cenário de 2026 ainda é de retração na comparação com o mesmo período de 2025. Entre janeiro e setembro de 2026, o índice agropecuário acumula uma queda de 6,56%. Todos os grupos analisados registraram variações negativas no acumulado.
O grupo de cana-de-açúcar e café foi o que mais caiu no ano, com retração de 20,90%. Os hortifrutícolas acumularam queda de 8,58%, seguido pelos grãos, que recuaram 3,49%. Na pecuária, a redução foi de 2,54%. Esse desempenho contrasta com a alta de 1,24% registrada nos preços industriais no mesmo período.
No mercado global, os preços dos alimentos acumularam queda de 8,39% quando expressos em reais, mesmo com uma leve alta de 0,75% em dólar. Essa diferença é explicada pelo câmbio: o real valorizou 8,96% frente ao dólar entre janeiro e setembro de 2026 em relação ao mesmo intervalo de 2025. Essa valorização da moeda brasileira fez os alimentos importados ficarem mais baratos aqui no Brasil.
Com isso, embora setembro tenha mostrado uma forte recuperação nas cotações, especialmente dos grãos, o balanço dos nove primeiros meses do ano indica que os preços pagos ao produtor ainda estão abaixo dos níveis observados em 2025.


A produção brasileira de soja e milho deve voltar a crescer na safra 2026/27, segundo a Datagro Grãos





