Guia de turismo filmou o momento em que um grupo de ariranhas afugenta uma onça-pintada em um rio no Pantanal. Bióloga explica como a espécie se defende em grupo.
Um grupo de ariranhas conseguiu afugentar uma onça-pintada que tentou atacá-las em um rio na região de Porto Jofre, em Poconé, no Pantanal de Mato Grosso. O vídeo foi gravado na quarta-feira (14) pelo guia de turismo e fotógrafo de vida selvagem Mateus Rauber, durante um passeio com turistas estrangeiros.
Nas imagens, uma onça-pintada macho chamada Makala se aproxima do grupo. Segundo Rauber, o felino viu os animais enquanto subia o rio e deu a volta para persegui-los. As ariranhas, que desciam pelo rio, ainda não tinham percebido a presença dele.
- As ariranhas vivem em grupos e se defendem juntas.
- A onça-pintada é o principal predador das ariranhas.
- Elas usam cerca de 15 sons diferentes para se comunicar.
- O encontro aconteceu no rio Jofre, em Poconé (MT).
- O vídeo foi feito por um guia de turismo.
De acordo com o guia, as ariranhas surpreenderam a onça ao reagir coletivamente. Antes do confronto, ele já tinha alertado os turistas sobre a dificuldade que o animal poderia enfrentar.
"Ele deu a volta e foi atrás delas. Mal sabia ele que as ariranhas são conhecidas como as 'outras onças da água' e que estava no habitat delas. Foi uma surpresa enorme ver que ele teve a coragem de seguir em frente", contou.
Vida em grupo favorece espécie
A bióloga Caroline Leuchtenberger, presidente do Projeto Ariranhas, explicou ao g1 que a vida em grupo é uma estratégia de defesa das ariranhas contra predadores, incluindo a onça-pintada.
"A onça-pintada é o principal predador natural das ariranhas e pode atacar até indivíduos adultos. Uma das grandes vantagens das ariranhas é justamente o fato de viverem em grupo, o que permite que elas se defendam melhor", disse.
Quando percebem a aproximação de uma onça e têm condições de reagir, as ariranhas podem se organizar para tentar afastar o predador e defender o território. No episódio registrado, a reação do grupo fez a onça Makala sair da água.
O desfecho mostra que a defesa coletiva funcionou naquela situação, embora não garanta o mesmo resultado em todos os encontros.
Proteção dos filhotes é coletiva
A cooperação entre as ariranhas vai além da defesa contra predadores. Segundo Caroline, os integrantes do grupo compartilham tarefas relacionadas ao cuidado com os filhotes, como proteção e alimentação, o que favorece o desenvolvimento dos animais nos primeiros meses de vida.
"Os indivíduos se revezam em diferentes atividades, como cuidar, proteger e alimentar os filhotes. De maneira geral, grupos maiores tendem a ter mais sucesso na criação dos filhotes, justamente porque contam com mais indivíduos para compartilhar essas tarefas", destacou.
A organização coletiva também ajuda a defender o território e a manter o acesso a recursos importantes para a sobrevivência e a reprodução da família.
Vocalizações alertam sobre ameaças
Segundo Caroline, a espécie emite cerca de 15 sons diferentes, que variam conforme o contexto e ajudam na comunicação entre os integrantes do grupo.
"Nesse episódio com a onça-pintada, por exemplo, elas emitiram sons de alerta e alarme, que ajudaram a organizar o grupo para enfrentar aquela ameaça", explicou.
Embora encontros entre onças-pintadas e ariranhas aconteçam com certa frequência no Pantanal mato-grossense, para Caroline, esses registros de situações em que o grupo consegue afugentar o felino são raros.
No encontro registrado em Porto Jofre, os sons também contribuíram para organizar a reação coletiva do grupo diante da aproximação da onça-pintada, que deixou a água após avançar contra os animais.


Ariranhas 'espantam' onça-pintada durante encontro em rio no Pantanal de MT (Ajustada por IA)





