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17 de outubro de 2026

Tarifas dos EUA e custos internos sufocam a indústria de madeira brasileira

Geral Madeira 17/10/2026 06:41 Assessoria de Imprensa WoodFlow

Diretores da Holtz e ACR alertam que a soma de barreiras comerciais, aumento do real e alta de 83% no custo de colheita ameaça a competitividade do setor madeireiro, exigindo planejamento de longo prazo e foco em eficiência.

Mário Wanzuita, diretor da Holtz Engenharia e Negócios, e Mauro Murara Jr., diretor executivo da Associação Catarinense de Empresas Florestais (ACR), analisam o cenário difícil para a indústria madeireira. Ambos avaliam que uma eventual mudança de governo, com maior aproximação política dos Estados Unidos, poderia favorecer as negociações sobre as tarifas. Essa possibilidade, entretanto, é tratada como uma expectativa, que depende de avanços efetivos no diálogo entre os países.

Wanzuita também chama a atenção para os efeitos do câmbio. Em sua avaliação, uma eventual entrada maior de capital estrangeiro poderia valorizar o real e pressionar a receita dos exportadores, enquanto a manutenção das barreiras comerciais continuaria dificultando as vendas. Por isso, recomenda cautela com a expectativa de uma recuperação rápida após as eleições.

  • O custo de colheita florestal subiu 83% em dez anos, passando de R$ 41 para R$ 75 por metro cúbico.
  • A movimentação de um contêiner nos portos pode custar entre R$ 1 mil e R$ 1,2 mil, corroendo o lucro.
  • A produção de pinus exige ciclos de 15 anos ou mais, exigindo visão de longo prazo nas decisões de plantio.
  • Os especialistas defendem melhorias na nutrição das florestas para aumentar a produtividade nas áreas já existentes.
  • O lucro de um contêiner muitas vezes é consumido apenas pela burocracia de movimentação nos portos.

O desafio dos custos e da burocracia

Os problemas brasileiros são muito difíceis de solução. São problemas que têm que passar pelo Congresso, por reformas, afirma o diretor da Holtz.

Dentro do país, a evolução dos custos ajuda a dimensionar o desafio. Em uma amostra acompanhada pela consultoria, o custo médio de colheita e carregamento florestal passou de R$ 41 para R$ 75 por metro cúbico em dez anos, uma alta de aproximadamente 83%. O cálculo considera custos operacionais e depreciação de máquinas e equipamentos, com variações conforme as condições do terreno.

Murara acrescenta que atrasos nas inspeções e procedimentos de liberação das cargas podem provocar perda de janelas de embarque e despesas adicionais nos portos. Segundo ele, uma movimentação de contêiner pode custar entre R$ 1 mil e R$ 1,2 mil nas situações relatadas. O lucro de um contêiner às vezes vai só nessa movimentação, afirma. Entre as possibilidades de melhoria, o dirigente defende ampliar a discussão sobre inspeções na origem, antes da chegada da carga ao terminal portuário.

Estratégias de longo prazo para o abastecimento

A retração industrial também produz efeitos sobre a demanda por matéria-prima. Wanzuita observa que a menor procura por toras de pinus de maiores diâmetros pode transmitir uma falsa sensação de oferta abundante. Na avaliação do especialista, esse movimento está relacionado às dificuldades atuais da indústria e precisa ser analisado junto às perspectivas de abastecimento dos próximos anos.

Como a produção de pinus pode exigir ciclos de 15 anos ou mais, conforme o manejo e a finalidade da madeira, decisões de plantio e investimento precisam considerar um horizonte mais longo. O desafio é conciliar a remuneração do produtor florestal com um custo de matéria-prima que preserve a competitividade das empresas responsáveis pelo processamento.

Os especialistas apontam o aumento da produtividade como um dos caminhos para esse equilíbrio. Melhorias na nutrição das florestas, no manejo e nas práticas de cultivo podem ampliar a produção nas áreas já plantadas, especialmente em regiões onde o preço da terra limita a expansão.

Recomendações para atravessar a crise

Para atravessar o período de instabilidade, Murara recomenda aos industriais atenção ao fluxo de caixa e negociação próxima com os clientes, incluindo revisão de preços, prazos e contratos. Aos produtores florestais, destaca a importância do manejo, do monitoramento de pragas e da organização ambiental das propriedades.

Milazzo reforça que transformar o potencial produtivo brasileiro em vendas depende de avanços ao longo de toda a cadeia. É realmente bastante difícil a gente ser competitivo no mundo com uma situação dessa. Isso não é algo que vai mudar com o próximo presidente, é algo que a gente vai enfrentar durante um bom tempo, afirma.

As análises integram o episódio 31 do Podcast WoodFlow, O Futuro do Setor Madeireiro: Eleições, Mercado e Competitividade, que reúne Gustavo Milazzo, Mário Wanzuita e Mauro Murara Jr. para discutir as perspectivas da indústria e da produção florestal brasileira.