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21 de outubro de 2026

Argentina: Presidente anuncia demissão em massa de 21 mil funcionários do governo

Geral Argentina 21/10/2026 08:44 Agência Brasil / Notícias ao Minuto noticiasaominuto.com.br

O governo de Javier Milei publicou um decreto para demitir voluntariamente 21 mil servidores públicos, uma ação que já cortou 77 mil vagas desde o início do mandato. Sindicatos denunciam pressão aos trabalhadores e alertam que a medida pode prejudicar serviços essenciais, enquanto o governo afirma que a economia gerada é de US$ 3,2 bilhões.

O governo da Argentina, liderado por Javier Milei, publicou nesta segunda-feira (19) um decreto que institui um plano de demissão voluntária. A medida pode atingir até 21 mil servidores públicos. Somando os cortes desde janeiro de 2023, a administração de Milei já eliminou 77 mil vagas no serviço estatal argentino.

Esta iniciativa integra a agenda de corte de gastos do presidente. Milei assumiu a Casa Rosada com a motosserra como símbolo, representando o corte de despesas e a redução do tamanho do Estado.

Pontos-chave da decisão

Para facilitar a compreensão da situação, veja os principais pontos:

  • O decreto nº 1.203 de 2026 permite a saída de três grupos de funcionários federais, exceto militares e agentes de segurança.
  • As vagas dos servidores que aderirem serão extintas permanentemente, não havendo reposição.
  • Funcionários com idade entre 58 e 64 anos ou que já cumprem os requisitos de aposentadoria são os principais alvos.
  • O plano prevê pagamento de um salário para cada ano trabalhado no Estado, mais 60% do salário mensal por três anos.
  • Quem aceitar a saída ficará impedido de retornar ao serviço público por oito anos, bloqueando a "porta giratória".

O ministro da Desregulação e Transformação do Estado, Fede Sturzenegger, reforçou que a decisão de sair é voluntária. Ele destacou a imposição de um período de oito anos sem possibilidade de recondução ao emprego estatal, justificando a regra para evitar que os mesmos funcionários retornem aos cargos.

Cortes de empregos no governo argentino

Os números oficiais indicam uma redução massiva no quadro de pessoal. Entre dezembro de 2023, logo após a posse de Milei, e agosto de 2026, 77,5 mil postos de trabalho foram suprimidos no setor público.

Dos cortes totais, 44,7 mil vagas foram eliminadas na Administração Pública direta e indireta. Outras 11,1 mil vagas foram cortadas nas Forças Armadas e forças de segurança. Além disso, 21,6 mil funcionários de empresas públicas foram desligados.

Conforme um informe do governo, a Administração Pública Nacional reduziu seu quadro em 21,8%. Nas empresas estatais, a queda foi de 23,7%. O setor centralizado sofreu corte de 30%, e o descentralizado, de 18%. O governo estima que essas reduções geram uma economia de US$ 3,2 bilhões.

"Esta medida reflete o compromisso do governo com a redução do gasto público e sua determinação de cumprir as promessas de eficiência e austeridade na administração pública", declarou a assessoria do governo.

Reação dos sindicatos

A Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE) criticou fortemente a iniciativa. Rodolfo Aguiar, secretário-geral da ATE, denunciou que chefias estariam pressionando os empregados a aceitar o plano.

"Se é realmente voluntário, por que estão ameaçando os trabalhadores Se há intimidação, então o consentimento não é livre", questionou Aguiar. Ele citou relatos de funcionários: "Ou você assina os papéis da aposentadoria ou eu te coloco em licença e depois te demito".

Baseado na experiência de demissões voluntárias da década de 1990, que deixou milhares sem emprego e sem aposentadoria, a ATE Nacional vai recomendar aos associados que não aceitem o plano.

"Essa decisão deixará milhões de argentinos sem serviços públicos essenciais. Não podemos permitir que desmantelam o Estado e o deixem sem seu bem mais precioso: um valioso recurso humano com experiência e histórico comprovado", concluiu o líder sindical.

Impacto no emprego e economia

A taxa de desemprego na Argentina subiu 0,3 ponto percentual no primeiro semestre de 2026, na comparação com 2025. O índice alcançou 7,9% da população economicamente ativa, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).

Sob o comando de Milei, a Argentina fechou 31,3 mil empresas, o que representa 6,1% do total de companhias registradas. Além disso, 245 mil postos de trabalho formais foram encerrados em 31 meses, uma queda de 3,9% do total, conforme levantamento do Centro de Economia Política Argentina (Cepa).