O órgão ambiental aplicou sanções contra criminosos que incendiaram florestas, enviando fumaça para Manaus e levando escolas a suspender aulas presenciais.
Brasília, DF - O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais) aplicou R$ 2 milhões em multas por causa de incêndios florestais ilegais na Amazônia. As chamas e a fumaça resultante cobriram a capital Manaus, no Amazonas, nas últimas semanas.
Nos últimos sete dias de operações na região, agentes do instituto lavraram 19 autos de infração contra os responsáveis por queimadas criminosas e embargaram um total de 250 hectares. As autuações aconteceram nas cidades de Autazes e de Carreiro da Várzea, na região metropolitana da capital amazonense.
- Multas de R$ 2 milhões foram aplicadas pelo Ibama contra autores de queimadas na Amazônia.
- Manaus foi atingida por fumaça densa, forçando a suspensão das aulas presenciais na rede de ensino.
- O estado registrou 8.177 focos de incêndio este ano, um aumento de 111% comparado ao mesmo período de 2025.
- A Polícia Militar do Amazonas prendeu 11 pessoas suspeitas de envolvimento com as queimadas.
- Quatro ministros do governo federal visitaram a região para coordenar ações de combate ao fogo.
Fogo é intencional e ameaça áreas públicas
"Nossas equipes estão verificando áreas queimadas para identificar os responsáveis. São incêndios criminosos, feitos sem autorização de nenhum órgão", afirma o presidente do Ibama, Jair Schmitt. Ele completou: "Em alguns casos, o fogo ultrapassou cercas e invadiu áreas públicas e outras propriedades." O trabalho deve seguir nos próximos dias, em uma ação coordenada com órgãos federais e estaduais para evitar novos incêndios.
Origem humana e investigação policial
É consenso entre os agentes que a origem do fogo é quase inteiramente de causa humana e intencional. As investigações, inclusive da Polícia Federal, apuram se há motivação política por trás das queimadas. O Amazonas registrou neste ano 8.177 focos de incêndio, aumento de 111% em relação ao intervalo de 1º de janeiro a 18 de outubro de 2025. O índice, porém, está 49% abaixo da média histórica do estado, de acordo com dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Dados do bioma e pedido do Ministério Público
No bioma amazônico como um todo, foram registrados 40.633 focos até agora em 2026 - alta de 62% em relação ao mesmo período do ano passado, mas 47% abaixo da média histórica do Inpe. No último domingo (18), o Ministério Público Federal pediu a instalação, em até 72 horas, de uma "sala de situação interfederativa em Manaus", a criação de uma força-tarefa e a suspensão de qualquer autorização para queima. Segundo relatório do procurador André Luiz Porreca, em uma reunião no sábado (17) entre os diferentes órgãos que tratam do tema, foi consenso que "a maioria deles [incêndios] tem natureza criminosa, conclusão extraída das características da vegetação das áreas atingidas". "A maior parte desses incêndios está tradicionalmente relacionada à atividade pecuária, sem desconsiderar, contudo, outras motivações possíveis (inclusive de natureza política)", completou.
Prisões e visita de ministros
Participaram do encontro representantes de instituições como Ibama, Polícia Federal, Ministério Público Estadual e a Polícia Civil do Amazonas. Também no sábado, a Polícia Militar do Amazonas prendeu 11 pessoas por suspeita de envolvimento com as queimadas no estado. Uma comitiva do governo federal visitou a região no domingo, com os ministros João Paulo Capobianco (Meio Ambiente e Mudança do Clima), Wellington César Lima e Silva (Justiça e da Segurança Pública), José Múcio Monteiro (Defesa) e Waldez Góes (Integração e do Desenvolvimento Regional). A expectativa é que o contingente atuando no estado chegue nesta semana a 400 brigadistas e 16 aeronaves - a fumaça na região chegou a impedir algumas operações de combate ao fogo.


Reuters





