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22 de outubro de 2026

Eleição em Israel: Netanyahu busca reeleição sob pressão da guerra

Geral Israel 22/10/2026 08:25 CNN Brasil cnnbrasil.com.br

Votação em 27 de outubro define futuro do premier e a relação com o Líbano e o Hezbollah, com especialistas apontando continuidade nas políticas de segurança.

Os conflitos no Oriente Médio são parte central da campanha eleitoral em Israel para o Parlamento, conhecido como Knesset. A votação acontecerá no dia 27 de outubro e definirá o futuro do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Tanto o governo quanto a oposição tentam ter controle das narrativas sobre os conflitos. De um lado, o governo de Netanyahu afirma que as ações eram necessárias e garantiram a segurança de Israel; do outro, a oposição critica e diz que os objetivos não foram concluídos e causaram danos ao país.

  • A eleição ocorrerá em 27 de outubro e decidirá o destino político de Netanyahu.
  • O governo alega que as guerras garantiram a segurança; a oposição diz que os objetivos não foram cumpridos.
  • O conflito com o Hezbollah no Líbano ainda não terminou completamente, apesar do cessar-fogo.
  • Especialistas afirmam que a política de segurança de Israel não mudará drasticamente mesmo com mudança de governo.
  • Somente 12,2% dos israelenses acreditam que o país alcançou a "vitória total" nas operações recentes.

Uma das guerras que ainda não chegou ao fim é a batalha no Líbano, contra o Hezbollah. Além dos ataques aéreos, que deixaram milhares de mortos, Israel avançou pelo território libanês e capturou uma área que avançava cerca de 10 km pelo país vizinho.

Um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos fez com que a fase mais intensa desse conflito ficasse para trás. Ainda assim, não houve um acordo para o fim definitivo das hostilidades.

Israel quer o desarmamento completo do Hezbollah, enquanto o grupo libanês se nega a baixar as armas e exige que as forças israelenses deixem o Líbano completamente.

Desta maneira, a comunidade internacional acompanha de perto as eleições israelenses para avaliar o futuro das negociações.

A eleição em Israel pode afetar as negociações no Líbano

Samuel Feldberg, doutor em Ciências Políticas pela USP e pesquisador da Universidade de Tel Aviv, avalia que não haverá grandes mudanças na política externa israelense após a votação, mesmo se a oposição a Benjamin Netanyahu vencer.

O especialista explica que os candidatos de maior relevância são ligados aos militares e têm experiência na área de segurança, como, por exemplo, Gadi Eisenkot. Ele foi ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel e é o principal cotado para assumir o cargo de primeiro-ministro, caso vença Netanyahu.

Outros postulantes também ocuparam cargos importantes, como Avigdor Lieberman, ex-ministro da Defesa.

"As negociações com o governo do Líbano provavelmente vão continuar, mesmo se houver uma alternância de governo. E as demandas em relação à pressão sobre o Hezbollah com certeza vão continuar, mesmo que o governo não seja esse de Netanyahu", pontua Feldberg.

Consenso interno sobre a segurança nacional

Karina Calandrin, professora de Relações Internacionais do Ibmec-SP, concorda que ainda haverá pressão da sociedade israelense para que o grupo libanês se desarme e não represente mais uma ameaça para o país.

"A eleição pode mudar os instrumentos e o grau de disposição para negociar, mas provavelmente não eliminará o consenso israelense de que o Hezbollah não pode reconstruir no sul do Líbano a capacidade militar que possuía antes dessas guerras", analisa.

Uma pesquisa de junho da Universidade Hebraica de Jerusalém, em colaboração com o Instituto Agam, revelou que apenas 12,2% dos entrevistados acreditavam que Israel alcançou a maioria dos objetivos abrangidos pela ideia de "vitória total", que incluía, segundo a pesquisa, eliminar a ameaça do Hezbollah no Líbano, entre outros pontos.

Outros 61,3% disseram que Israel não alcançou esses objetivos de forma alguma, enquanto 26,5% avaliaram que Israel alcançou alguns de seus objetivos.

Desafios para futuros acordos de paz

João Miragaya, assessor do Instituto Brasil-Israel e mestre em História pela Universidade de Tel Aviv, diz que é possível que um novo governo israelense tente chegar a um acordo com o governo libanês para o desarmamento do Hezbollah, que poderia terminar em um acordo de paz.

De toda forma, o especialista destaca que o processo seria complicado, ponderando que o "Hezbollah faria de tudo para atrapalhar" as negociações.