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29 de outubro de 2026

Brasiliana fica ferida após colisão entre trens de alta velocidade na Espanha

Geral Espanha 29/10/2026 15:30 Estadão Conteúdo via Jovem Pan jovempan.com.br Madri

Uma cidadã brasileira está entre os 110 feridos na trágica colisão entre dois trens que deixou 69 mortos na Espanha. O governo brasileiro confirmou o caso e a mulher já está sendo assistida pelo Consulado em Madri. O acidente aconteceu por falha no sistema de segurança e erro de controle de tráfego.

Uma cidadã brasileira está entre os feridos no grave acidente que envolveu dois trens de alta velocidade na Espanha, ocorrido na quarta-feira (28). A informação foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty). De acordo com o último balanço das autoridades, o número de mortos chegou a 69 e o de feridos a 110.

O Itamaraty acionou o serviço consular nesta quinta-feira (29). Segundo o Consulado-Geral do Brasil em Madri, a brasileira já está sendo assistida. O ministério não divulgou o nome nem outros dados pessoais da vítima para preservar sua privacidade.

  • O acidente deixou 69 mortos e 110 feridos.
  • Uma brasileira foi atendida pelo Consulado em Madri.
  • A colisão ocorreu entre Madri e Sevilha.
  • Havia 544 passageiros nos dois trens.
  • O governo espanhol decretou luto nacional.

Investigação aponta falha no controle de tráfego

A colisão ocorreu às 8h53 de quarta-feira, horário local, quando o trem da operadora Renfe atingiu a composição da Iryo que estava parada na linha. O ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, afirmou que a velocidade exata do trem no momento do impacto ainda não foi determinada, mas que a composição poderia ter alcançado 200 km/h no trecho.

O acidente envolveu trens que faziam o trajeto entre Madri e Sevilha, no sul do país. Segundo os dados preliminares, havia 397 pessoas a bordo do trem da Renfe e 147 na composição da Iryo.

A explicação apresentada pelo ministro direciona a investigação para as decisões tomadas pela central de controle após uma falha informática. Ainda não está esclarecido por que a circulação foi autorizada sem restrições de velocidade nem por que a ordem foi emitida apesar do sinal de parada ativo.

A empresa pública responsável pela infraestrutura ferroviária espanhola, a Adif, informou que a circulação na linha de alta velocidade entre Madri e a Andaluzia foi suspensa após o acidente. Equipes de emergência foram mobilizadas, com bombeiros, helicópteros e unidades móveis de terapia intensiva no atendimento às vítimas.

Resposta das empresas e do governo

A operadora privada Iryo afirmou ter acionado seus protocolos de segurança e estar trabalhando em coordenação com as autoridades. A estatal Renfe também ativou seu plano de atendimento às vítimas e familiares e disponibilizou uma linha telefônica para prestar informações.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, cobrou esclarecimentos sobre as causas que levaram à colisão. Durante uma visita ao local do acidente, a cerca de 150 quilômetros ao sul de Madri, Sánchez afirmou que o Estado está empenhado em conhecer e esclarecer quais foram as causas que deram origem a este terrível acidente ferroviário, ocorrido na véspera.

Logo após o acidente, ainda na quarta-feira, o ministro Óscar Puente classificou como inexplicável a decisão da central de controle ferroviário de autorizar a retomada da circulação de um trem da estatal Renfe antes da colisão com uma composição da empresa privada Iryo.

Segundo o ministro, uma falha no sistema de segurança interrompeu a circulação de trens em um trecho da linha de alta velocidade entre Madri e Sevilha nesta quarta-feira, mas o comando central autorizou a retomada do percurso sem restrições de velocidade. Não estou atribuindo responsabilidade a ninguém, estou apenas relatando os fatos, afirmou Puente. O ministro disse que os maquinistas não tiveram culpa e que as circunstâncias da autorização para retomar a viagem ainda estão sendo apuradas.

Resgate e apoio às famílias

Segundo a explicação de Puente, por volta das 8h30, uma falha informática interrompeu o funcionamento do sistema de segurança ferroviária em um trecho de 63 quilômetros. O mecanismo de proteção fez com que os trens afetados parassem automaticamente. A central de controle assumiu então a gestão da circulação na área.

O ministro afirmou que, apesar de um sinal de parada permanecer ativo, a central autorizou o trem da Renfe a voltar a circular normalmente. Para Puente, a composição não deveria ter recebido autorização para retomar o percurso naquelas condições. Caso a circulação fosse liberada, disse, o trem deveria ter sido orientado a avançar com velocidade reduzida, de modo que pudesse parar diante de qualquer obstáculo.

Após uma reunião do comitê de emergências, Sánchez reiterou o compromisso de determinar as causas da colisão. Estamos trabalhando dia e noite não apenas para dar uma resposta aos familiares das vítimas, mas também para esclarecer até o último detalhe desta tragédia e, é claro, reforçar a segurança para que isto não volte a acontecer, disse.

Os reis da Espanha, Felipe VI e Letizia, visitarão nesta quinta-feira os feridos internados em um hospital de Toledo, a quase 70 quilômetros do local do acidente, informou a Casa Real. No município de Urda, o mais próximo ao local da tragédia, uma escola foi habilitada para receber os parentes das vítimas, que contam com o apoio de funcionários da Cruz Vermelha.

Serão horas duras e longas, disse Carmen García, psicóloga que atende as famílias no centro improvisado. Temos pessoas em estado de choque, que não têm consciência do que aconteceu, pessoas irritadas, pessoas tristes, preocupadas, o luto vai ser complicado, acrescentou. O pároco de Urda, José Miguel Fernández, também compareceu para prestar apoio às famílias. Muitos deles estavam serenos, outros nervosos, sem esperança, queriam saber logo e ter notícias de seus entes queridos, explicou.