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05 de novembro de 2026

Presidente do Paraguai renuncia para evitar cassação após escândalo em banco estatal

Geral Paraguai 05/11/2026 15:45 Rafael Damas, Notícias ao Minuto noticiasaominuto.com.br

Santiago Peña apresentou a renúncia na quinta-feira (5), dias após o fechamento do Banco Ueno e a abertura de processo de impeachment. A crise foi motivada por falhas regulatórias e acusações de conflito de interesses, uma vez que o presidente foi acionista do grupo dono do banco até 2025.

Na tarde desta quinta-feira (5), Santiago Peña, presidente do Paraguai, anunciou oficialmente sua renúncia ao cargo. A decisão foi tomada em meio a uma forte crise política e econômica, desencadeada pelo fechamento do Banco Ueno, que provocou revolta na população, e pela iminência de um processo de impeachment no Congresso paraguaio.

Em comunicado publicado em suas redes sociais, o presidente justificou o gesto priorizando a estabilidade nacional. "Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à presidência da República. O que faço é pensar na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas. O que faço com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que nos temos dado como nação", declarou Peña. Agora, a palavra final cabe ao Congresso, que precisa aceitar a saída ou seguir com o impeachment.

  • Peña anunciou a renúncia na quinta-feira (5), antes da conclusão do processo de impeachment aberto no mesmo dia.
  • O estopim da crise foi o fechamento do Banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, com 3 milhões de clientes.
  • O banco tinha cerca de US$ 850 milhões (R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos de previdência.
  • Peña foi acionista do grupo dono do banco até março do ano passado, o que gerou acusações de conflito de interesses.
  • O Congresso paraguaio agora decide se aceita a renúncia ou mantém o processo de afastamento do presidente.

Decisão final cabe ao Congresso do Paraguai

Após a entrega da carta de renúncia, a legislação paraguaia exige que o Congresso Nacional analise e aprove a saída do presidente. A câmara alta precisa convocar uma sessão especial para debater e votar o assunto. Se a renúncia for aceita, Peña deixará o cargo imediatamente. Caso o Legislativo decira negar a renúncia, o processo de impeachment, que já estava em andamento, poderá seguir para sua conclusão, o que resultaria no afastamento compulsório do presidente.

Crise no Banco Ueno e acusações de conflito de interesses

A queda política de Peña tem raízes diretas no colapso financeiro do Banco Ueno. Na última terça-feira (3), a instituição foi fechada pelo Banco Central do Paraguai após a descoberta de um grande déficit em empréstimos concedidos a empresas. A liquidação imediata causou pânico entre os correntistas. O Banco Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez, era uma das maiores instituições do país, com aproximadamente 3 milhões de clientes.

O escândalo se agravou com a revelação de que o banco concentrava cerca de US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo fundos do Instituto de Previdência Social. Santiago Peña, por sua vez, possuía participações acionárias no Grupo Vázquez até março do ano passado. Essa ligação gerou fortes suspeitas de que ele tivesse interferência regulatória para beneficiar o grupo, além de acusações de desvio de recursos previdenciários e encobrimento por parte do Banco Central.

Investigações e medidas de proteção aos poupadores

Frente às acusações, o presidente Peña defendeu-se afirmando que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça "sem exceções". Ironicamente, logo após a defesa, ele promulgou uma lei que garante aos poupadores do Banco Ueno a recuperação de seus recursos em um prazo menor, tentando mitigar o impacto social da falência. No âmbito criminal, o Ministério Público do Paraguai solicitou investigações detalhadas e pediu a prisão de dois dirigentes do banco, intensificando a pressão sobre a cúpula do governo e do setor financeiro paraguaio.