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05 de novembro de 2026

Resíduos do campo viram dinheiro: biometano cria novas receitas para fazendas

Geral Biometano 05/11/2026 17:51 Adilson Teixeira Lima, H2A Bioenergia Campos Novos SC

Produtores rurais e cooperativas podem transformar dejetos da suinocultura e resíduos agrícolas em biometano, um gás renovável. Esse modelo elimina a necessidade de grandes investimentos por parte do agricultor, que ganha receita extra vendendo a matéria-prima e ajudando a reduzir custos com energia.

O agronegócio brasileiro construiu sua competitividade a partir de ganhos de produtividade, inovação e capacidade de atender mercados cada vez mais exigentes. Agora, uma nova oportunidade ganha espaço no campo: integrar a produção agropecuária à cadeia energética, transformando resíduos orgânicos em ativos econômicos e criando novas fontes de receita.

Essa transformação vai além da sustentabilidade. Representa uma evolução na forma de estruturar negócios, conectar setores da economia e ampliar o potencial de geração de valor das atividades rurais.

  • Estudo da EPE aponta que o biometano pode substituir 1/3 do consumo de gasolina e diesel no Brasil.
  • Existe uma usina em Santa Catarina que é pioneira na América Latina usando dejetos de porcos.
  • O modelo evita que o produtor faça grandes investimentos sozinhos, dividindo riscos com empresas de energia.
  • O biometano é injetado diretamente na rede de gás, substituindo combustíveis fósseis.
  • Projetos agroindustriais são 24 dos 70 totais de plantas de biometano em fase de autorização no país.

Simbiose com o campo: parcerias inteligentes

É nesse contexto que ganha força o conceito de simbiose com o campo: um modelo de parceria em que produtores rurais, cooperativas e empresas de energia combinam recursos e competências para viabilizar empreendimentos de biometano. O campo contribui com a disponibilidade de resíduos e a área para implantação. A empresa de bioenergia estrutura o empreendimento, mobiliza investimentos e integra tecnologia, engenharia, operação e acesso ao mercado consumidor.

Nesse modelo, o produtor pode participar da cadeia do biometano sem precisar assumir sozinho os investimentos e a operação de uma unidade industrial. As responsabilidades e as formas de remuneração são definidas conforme as características de cada parceria.

O potencial dessa integração é expressivo. Estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), divulgado em 2025, aponta que o biometano produzido a partir de resíduos agropecuários poderia substituir, em condições economicamente viáveis consideradas na pesquisa, cerca de um terço do consumo brasileiro de gasolina e diesel. O dado dimensiona uma oportunidade que começa no campo, mas alcança diferentes setores da economia.

Expansão do mercado e dados concretos

O mercado também apresenta sinais concretos de expansão. Levantamento da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), baseado em dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), apontou 20 plantas de biometano autorizadas e outras 50 em processo de autorização, das quais 24 são projetos agroindustriais.

A expansão do setor exige mais do que disponibilidade de resíduos. A viabilidade de cada empreendimento depende de fornecimento contínuo de matéria-prima, escala adequada, operação eficiente, logística e contratos de venda compatíveis com os investimentos. É a integração desses fatores que permite transformar potencial energético em um negócio sustentável no longo prazo.

Em Campos Novos, Santa Catarina, a parceria entre a H2A Bioenergia e a Copercampos demonstra essa integração na prática. Inaugurada em março de 2026, a unidade foi desenvolvida e viabilizada pela H2A, com a contribuição da cooperativa na disponibilização da área e no fornecimento contínuo dos dejetos da suinocultura. O arranjo conecta a produção agropecuária ao mercado de energia e cria uma nova aplicação econômica para os resíduos da atividade.

Essa experiência aponta para uma mudança na lógica dos investimentos. Em vez de iniciativas isoladas, o desenvolvimento do biometano passa por arranjos empresariais que reúnem produtores, cooperativas, investidores e consumidores em projetos de longo prazo.

Benefícios econômicos e regionais

Para produtores e cooperativas, esse modelo pode gerar novas receitas a partir dos resíduos e apoiar sua gestão ambiental. Para a indústria consumidora, amplia as opções de fornecimento de energia renovável. Para as regiões produtoras, cria oportunidades de investimento, serviços e empregos ligados à implantação e à operação dos empreendimentos.

O desafio brasileiro é transformar esse potencial em empreendimentos viáveis e replicáveis. Para isso, cada projeto precisa conectar a realidade do campo às exigências da operação industrial e do mercado consumidor. Parcerias com responsabilidades claras, contratos consistentes e visão de longo prazo são fundamentais para ampliar a participação do biometano na economia brasileira.