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09 de agosto de 2026

Polícia civil prende homem que cuidava do dinheiro de deputado ligado ao crime organizado

Policia Prisão 22/07/2026 14:10 Extra, Rio de Janeiro extra.globo.com

A polícia prendeu nesta quarta-feira (22) um homem que trabalhava para o ex-deputado TH Jóias, ajudando a esconder e movimentar o dinheiro de um grupo criminoso ligado ao Comando Vermelho (CV). Ele já tinha sido condenado pela Justiça por fazer parte dessa organização.

Policiais civis da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) prenderam, nesta quarta-feira, em Marechal Hermes, na Zona Norte do Rio, Leandro Ferreira Marçal. Ele já tinha sido condenado em primeira instância por fazer parte de uma organização criminosa que, segundo as investigações, atuava dentro da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e tinha ligações com o Comando Vermelho. Marçal era o operador financeiro do ex-deputado estadual Tiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Jóias, considerado o braço político do grupo criminoso.

  • Resumo da notícia: Um homem que trabalhava para o ex-deputado TH Jóias foi preso pela polícia do Rio.
  • O que ele fazia: Ele era o operador financeiro do grupo, cuidando de movimentar e esconder o dinheiro do crime.
  • Ligação perigosa: O grupo tinha conexões com o Comando Vermelho (CV) e agia dentro da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
  • Como funcionava: Ele usava um cargo público de fachada para circular o dinheiro ilegal sem levantar suspeitas.
  • Pena e prisão: Ele foi condenado a 6 anos e 6 meses de prisão e perdeu o cargo público. A prisão foi decretada pela Justiça.

Nomeado para um cargo comissionado no gabinete do então deputado TH Jóias, Marçal usava essa função para recolher e transportar grandes quantias de dinheiro do crime. A nomeação, de acordo com a Polícia Civil, servia como uma fachada para facilitar a circulação do dinheiro do grupo criminoso.

Como funcionava o esquema

Segundo o processo, que tramitou na 2ª Vara Federal Criminal, Leandro fazia parte do núcleo logístico e financeiro da organização criminosa. As investigações mostraram que ele mantinha contato frequente com chefes do tráfico no Complexo do Alemão, como Gabriel Dias de Oliveira, o Índio. Dele, Marçal recolhia dinheiro vivo, como R$ 100 mil que iam para TH Jóias e R$ 90 mil para outros integrantes do grupo. A nomeação no gabinete parlamentar era a desculpa perfeita para circular o dinheiro ilegal sem levantar suspeitas.

A condenação e a prisão

Marçal foi condenado a seis anos e seis meses de prisão pelo crime de integrar organização criminosa, com um agravante previsto na Lei nº 12.850/2013. A sentença também determinou a perda do cargo público. A Justiça negou o direito de recorrer em liberdade e decretou a prisão preventiva, citando a gravidade dos fatos e o papel do condenado na estrutura criminosa.

Após a prisão, ele será levado para a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen), onde passará por uma audiência de custódia.

A extensão do Comando Vermelho

De acordo com um relatório da Polícia Federal, a rede montada em torno de TH Jóias fez com que o mandato dele se transformasse em uma extensão do CV. O esquema reunia políticos, assessores, empresários, operadores financeiros, policiais e chefes do tráfico. A investigação mostrou conexões que iam da Alerj até o Paraguai, passando por comunidades dominadas pelo crime e chegando a gabinetes oficiais.

Ainda segundo a investigação, era por meio de seus assessores e operadores que o ex-deputado facilitava a compra e a venda de drogas, munição e equipamentos de segurança, como bloqueadores de drones. Assim, o grupo abastecia diretamente os chefes do tráfico que dominam as comunidades do Rio.

O dinheiro obtido com as transações ilegais era escondido por meio de negócios lícitos, como lojas e investimentos no mercado financeiro.

TH Jóias, Marçal e outras 13 pessoas foram denunciados pelo Ministério Público Federal em novembro do ano passado. O grupo é acusado de crimes como tráfico internacional e comércio ilegal de armas e munição, tráfico de drogas, contrabando, corrupção ativa e corrupção passiva.