O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, deu prazo para a Procuradoria-Geral da República explicar supostas conversas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, que teriam sido apagadas ou ocultadas, segundo a Polícia Federal.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou um prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se pronuncie sobre um relatório da Polícia Federal. O documento menciona o nome do ministro Alexandre de Moraes e do próprio procurador-geral, Paulo Gonet, em investigações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
As menções aos nomes das autoridades foram descobertas após a quebra do sigilo telefônico de Vorcaro, que é investigado na Operação Compliance Zero por suspeitas de fraudes no Banco Master. A decisão de liberar o sigilo do relatório foi tomada nesta terça-feira, dia 1 de setembro de 2026.
- A Polícia Federal identificou que Daniel Vorcaro teria tido contatos diretos com um número registrado como sendo do ministro Alexandre de Moraes.
- Parte das conversas estaria apagada porque usavam mensagens de leitura única ou eram escritas em blocos de notas, dificultando a recuperação total dos dados.
- Em uma mensagem recuperada, supostamente de novembro de 2025, Vorcaro afirma estar "tentando antecipar os investigadores".
- O nome do procurador-geral Paulo Gonet foi mencionado por terceiros em conversas com Vorcaro, com um interlocutor dizendo em 2024 que "Gonet é firme".
- O ex-deputado Fábio Faria também aparece na investigação, citando o diretor-geral da Polícia Federal em uma conversa sobre um evento em Londres em 2024.
De acordo com o relatório policial, Vorcaro teria conversado diretamente com um contato salvo sob o nome do ministro do Supremo. A PF aponta que parte dessas comunicações foi deletada propositalmente, pois o contato em questão utilizava ferramentas de mensagens efêmeras ou anotava conversas em aplicativos de bloco de notas, mecanismos que impedem a restauração completa do histórico.
Uma das mensagens que foram recuperadas contém uma declaração significativa. Nela, Vorcaro diz ao contato atribuído a Alexandre de Moraes que "estava tentando antecipar os investigadores". A conversa teria acontecido no dia 17 de novembro de 2025.
No caso do procurador-geral Paulo Gonet, as citações não vieram de conversas diretas com ele, mas de terceiros que falavam com o ex-banqueiro. Em uma troca de mensagens de 2024, um interlocutor identificado como Ciro Soares comentou que "Gonet é firme", referindo-se à atuação do chefe da PGR.
O relatório da investigação também aponta menções ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos. Embora o contato do diretor não estivesse salvo na agenda de Vorcaro, o nome foi citado em uma conversa entre o ex-banqueiro e o ex-deputado Fábio Faria, ocorrida em abril de 2024.
Nessa interação, Fábio Faria perguntou a Vorcaro se ele aceitaria convidar Andrei Passos para um evento em Londres. Posteriormente, uma secretária vinculada ao diretor-geral da PF entrou em contato com a organização da viagem para fechar os detalhes, o que gerou a suspeita de uma possível articulação indevida.


Investigação (IA)





