A Polícia Federal apresentou um relatório técnico que demonstra, segundo a segundo, o envio de prints do Banco Master ao ministro Alexandre de Moraes, utilizando dados do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, com o objetivo de desmentir alegações de que os dados seriam falsos.
A Polícia Federal não precisou de testemunhas para provar que Daniel Vorcaro fotografava anotações em seu celular e as enviava, minutos depois, para um contato salvo como Alexandre de Moraes BRASILIA. A prova baseou-se no cruzamento de três registros gerados automaticamente pelo próprio sistema do iPhone apreendido do banqueiro. Esse método é detalhado em um relatório de 218 páginas entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), resultante da extração forense do aparelho de Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Ele está preso desde novembro do ano passado, no âmbito da Operação Compliance Zero. O documento integra a Petição 16.662 e só ficou público após o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, retirar o sigilo que cercava o material. A Jovem Pan teve acesso ao relatório imediatamente após essa decisão.
Os peritos da PF realizaram uma reconstrução minuciosa dos fatos. Eles cruzaram o conteúdo do bloco de notas do celular de Vorcaro com os registros de sistema que indicam o momento exato em que cada mensagem foi enviada via WhatsApp, além do histórico de abertura e fechamento dos aplicativos. O padrão se repete diversas vezes no relatório: Vorcaro abre o Bloco de Notas, escreve ou edita um texto, tira uma captura de tela e, no mesmo segundo ou no seguinte, o iPhone gera automaticamente uma cópia em PDF, guardada em uma pasta temporária invisível ao usuário comum. Em seguida, o WhatsApp é aberto e a mensagem segue para o contato ligado a Moraes. Para a PF, esse arquivo temporário é o elemento que garante a consistência da prova, pois foi criado pelo sistema operacional e não de propósitos por Vorcaro, sem que ele tivesse controle sobre o processo.
Detalhes da reconstrução forense
- A prova técnica baseia-se em arquivos de sistema do iPhone, gerados automaticamente, sem intervenção manual do suspeito.
- O relatório tem 218 páginas e foi desclassificado pelo ministro André Mendonça, que retirou o sigilo da Petição 16.662.
- O contato de Moraes aparecia no celular de Vorcaro sob nomes variados, incluindo Novo e STF TSE NOVO.
- A advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, teria enviado minutas de contratos ao banqueiro.
- Metadados de um arquivo indicam que a última edição partiu de um usuário identificado como Ministro Alexandre de Moraes.
O relatório também revela a origem do contato. Segundo os investigadores, o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria apresentou o número a Vorcaro no fim de dezembro de 2023. O mesmo telefone aparecia salvo sob diversos nomes, como Alexandre de Moraes BRASILIA, Novo e STF TSE NOVO. Cerca de um mês após esse primeiro contato, a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, enviou a Vorcaro a minuta final de um contrato de honorários entre seu escritório e o Banco Master, no valor de R$ 3 milhões mensais. Os peritos afirmam que os metadados do arquivo indicam que a última edição, feita em janeiro de 2024, partiu de um usuário identificado internamente como Ministro Alexandre de Moraes.
Meses depois, em 2025, o relatório traz o registro de um pagamento de pouco mais de R$ 3 milhões do banco para a conta do escritório da advogada, além de uma cobrança separada, em nome de uma empresa ligada a Vorcaro, que superava R$ 22 milhões. Há ainda um trecho que descreve uma tentativa de interferir no conteúdo de uma reportagem, com pedido para incluir a informação de que três ministros do Supremo teriam se reunido reservadamente com o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, ligado a um evento em Londres onde Vorcaro participou. Meses depois, o banqueiro comentou em conversa que o ministro reclamou bastante do ocorrido no evento.


Ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro - Divulgação / STF






