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29 de outubro de 2026

Advogado investigado alega que denunciou fraude antes de ser alvo da polícia

Policia Polícia 29/10/2026 14:34 Folhamax folhamax.com Cuiabá MT

Felipe Augusto Dorileo de Rezende afirma em vídeo que já havia procurado as autoridades para denunciar um documento falso antes da Operação Reescrita. Ele nega envolvimento na fraude e diz ter oferecido seus equipamentos para investigação, questionando a necessidade da busca e apreensão em sua residência.

O advogado Felipe Augusto Dorileo de Rezende, um dos alvos da Operação Reescrita deflagrada pela Polícia Civil na quarta-feira (28), declarou que já havia procurado as autoridades para denunciar a existência de um suposto documento falso. Este documento, segundo ele, teria sido utilizado para beneficiar um líder da facção criminosa Comando Vermelho (CV). Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o profissional negou qualquer conhecimento prévio da fraude e revelou que chegou a oferecer seu aparelho celular e notebook para auxiliar nas investigações, meses antes da ação policial.

A Operação Reescrita investiga três advogados suspeitos de envolvimento na falsificação de uma decisão judicial. A manobra, de acordo com a investigação, permitiria a transferência de Miro Arcangelo Gonçalves de Jesus, conhecido como "Miro Louco", da Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, para a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. Além de Felipe, são investigados os advogados Gerson Tomé Trevisol e Pabline Mayara Barbosa Belfort Medeiros. A Polícia Civil afirma que a advogada teria participado da elaboração ou edição do documento, enquanto os outros dois juristas teriam atuado na apresentação e utilização do arquivo junto ao Judiciário.

Defesa alega que denunciou a fraude antes da operação

No vídeo, Felipe explicou que recebeu o documento de uma colega no final do ano passado. Ele ressalta que, por não atuar na área criminal, sequer possui acesso ao Sistema Eletrônico de Execução Unificado (SEEU), utilizado para as execuções penais. Segundo o advogado, após receber a suposta decisão, procurou o Fórum de Cuiabá, acompanhado de Gerson Trevisol, para verificar a autenticidade da determinação judicial. Eles foram informados de que não havia decisão alguma registrada.

O advogado também disse no vídeo que, após tomar conhecimento da suspeita de falsificação, registrou um boletim de ocorrência em abril deste ano. Posteriormente, em 4 de maio, formalizou uma representação para solicitar que a Polícia Civil investigasse a origem do documento. Felipe afirmou que tanto seu aparelho celular quanto seu computador foram colocados espontaneamente à disposição das autoridades, assim como a possibilidade de prestar depoimento.

Lista de pontos-chave sobre a investigação

  • Felipe alega que foi ao Fórum de Cuiabá para checar a autenticidade do documento recebido.
  • O boletim de ocorrência contra a fraude foi registrado em abril do ano corrente.
  • A representação para investigação foi formalizada na Polícia Civil em 4 de maio.
  • O advogado ofereceu seus dispositivos eletrônicos espontaneamente às autoridades.
  • Ele foi surpreendido com a busca e apreensão em sua residência na manhã da operação.

"Eu e o doutor Gerson nos dirigimos ao fórum, perguntamos sobre aquela decisão que nos foi enviada: 'Doutor, não tem decisão nenhuma nesse processo'. Nós encaminhamos essa decisão ao gabinete. Se eu soubesse que isso se tratava de um documento falso, eu apresentaria Queríamos que a polícia investigasse de onde veio esse documento. Na própria representação do BO, nós, de maneira espontânea, ofertamos os nossos celulares, os nossos notebooks", afirmou Felipe Dorileo.

O advogado afirmou ter sido surpreendido com a chegada dos policiais à sua residência, na manhã de quarta-feira, para cumprir o mandado de busca e apreensão. Ele ressaltou que recebeu os agentes com tranquilidade, mas questionou a necessidade da medida, uma vez que, segundo sua versão, já havia oferecido os equipamentos eletrônicos aos investigadores.