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30 de outubro de 2026

Influenciadora presa em golpe online ostentava luxo e divulgava apostas

Policia Golpe 29/10/2026 21:32 Redação g1 MT g1.globo.com Cuiabá MT

Aryadna Cristina foi detida em operação da polícia civil em Mato Grosso após promover sites de apostas virtuais. A investigação aponta que o grupo aplicava golpes na internet, causando prejuízo superior a R$ 400 mil às vítimas.

Uma influenciadora digital conhecida como Aryadna Cristina foi presa nesta quinta-feira (29) em Mato Grosso durante a Operação Rede Oculta. A detenção ocorreu menos de 24 horas após ela divulgar links de plataformas de apostas virtuais nas suas redes sociais.

A operação policial executou 20 ordens judiciais contra cinco investigados nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande. Além de Aryadna, o namorado dela e outras duas pessoas foram presos. Um quinto investigado não foi localizado até o momento.

  • A influenciadora publicava propagandas de casas de apostas online em seus stories, formato que expira em 24 horas.
  • O esquema envolvia fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro, com prejuízo inicial superior a R$ 400 mil às vítimas.
  • Aryadna ostentava um padrão de vida de luxo, com viagens e objetos caros, incompatível com a sua renda declarada.
  • O namorado da influenciadora é suspeito de pertencer a uma facção criminosa e foi flagrado com droga.
  • As investigações começaram em 2023, após denúncias anônimas, e a primeira fase da operação foi em maio de 2024.

Investigação revela padrão de vida incompatível

A defesa de Aryadna ainda não foi localizada pela redação do g1. A influenciadora utilizava um perfil com cerca de 7.690 seguidores, identificado na biografia como conta reserva de outro perfil que possui aproximadamente 58 mil seguidores.

De acordo com a investigação, a presa exibia em suas redes sociais um estilo de vida de luxo, incluindo viagens e a compra de objetos de alto valor, o que não condiz com a renda que ela declarava formalmente.

É importante notar que, em setembro, foi aprovada a Medida Provisória nº 1.394. Essa norma proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no Brasil, regra que também abrange jogos online e cassinos virtuais.

O namorado de Aryadna e outras duas pessoas foram presos na mesma operação. Um quinto investigado ainda não foi localizado pela Polícia Civil. Os nomes dos demais alvos não foram divulgados publicamente.

Foram cumpridas um total de 20 ordens judiciais contra os cinco investigados em Cuiabá e Várzea Grande. As medidas incluíram mandados de prisão, busca e apreensão, além do sequestro de veículos. A Justiça também autorizou a quebra do sigilo telemático dos aparelhos apreendidos para extração de dados.

Método do grupo e lavagem de dinheiro

Segundo a apuração policial, as vítimas eram contatadas pela internet, através de redes sociais e plataformas de compra e venda. O grupo utilizava falsos anúncios de veículos e golpes clássicos, como o do falso parente e do falso funcionário de banco.

A polícia descobriu que os valores transferidos via Pix eram divididos entre contas bancárias de terceiros, em quantias menores que R$ 10 mil. Em seguida, o dinheiro era concentrado em uma das pessoas investigadas, que redistribuía os recursos.

Os recursos obtidos com os golpes eram usados na compra de veículos de alto valor e joias, que serviam para manter a imagem de luxo nas redes sociais. O prejuízo total das vítimas já identificadas soma mais de R$ 400 mil.

As investigações apontam que uma das mulheres presas coordenava um núcleo do grupo e recrutava pessoas para ceder suas contas bancárias ao esquema criminoso. Já Aryadna, que se apresentava como influenciadora digital, mantinha um estilo de vida que, segundo a polícia, não era compatível com a renda declarada.

Conforme o inquérito, o homem de 41 anos continuava a orientar a movimentação dos recursos mesmo após ter sido colocado em liberdade em fase anterior, com auxílio da esposa, que foi presa nesta fase.

A polícia também indica que ele seria integrante de uma facção criminosa. Durante a abordagem, foi encontrada com ele uma pequena quantidade de droga. Por esse motivo, foi registrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência por posse de entorpecente para consumo pessoal.

Contexto da Operação Rede Oculta

A primeira fase da Operação Rede Oculta foi deflagrada em 27 de maio de 2024. Naquela ocasião, foram cumpridas 30 ordens judiciais contra 15 investigados em Cuiabá e Várzea Grande. Na ocasião, foram apreendidos bens e celulares, incluindo um carro avaliado em cerca de R$ 153 mil.

As investigações tiveram início em 2023, após denúncias anônimas. Segundo a Polícia Civil, a análise dos materiais apreendidos, de laudos periciais da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e de dados financeiros obtidos com autorização judicial permitiu aprofundar a apuração e identificar a participação dos alvos desta segunda fase.

Os investigados foram indiciados por suspeita de fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e organização criminosa.