A denúncia do Gaeco contra 17 pessoas por desvio de R$ 27 milhões pode não ser o fim da Operação Gutenberg. As investigações continuam e novas fases podem surgir. O esquema envolvia a troca de contratos de livros por liberação de exames médicos em Mato Grosso do Sul.
A denúncia do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) contra 17 investigados por um suposto esquema de desvio de dinheiro público, avaliado em R$ 27 milhões, pode não ser o fim da Operação Gutenberg. Pessoas ligadas às investigações dizem que novas etapas da operação não estão descartadas, enquanto o Ministério Público analisa o material apreendido.
A operação começou com investigações em 2023 e foi lançada em julho deste ano. Ela revelou um esquema de direcionamento de contratos públicos envolvendo a Editora Avante e várias prefeituras de Mato Grosso do Sul.
- A quadrilha usava a saúde pública como chantagem: prefeituras eram obrigadas a comprar livros para liberar exames e cirurgias.
- São pelo menos 17 cidades suspeitas de participar do esquema em Mato Grosso do Sul.
- A família Jafar é apontada como a chefe do esquema, controlando a Editora Avante.
- Os investigadores quebraram os sigilos bancário, fiscal e telefônico dos suspeitos para reunir provas.
- O Ministério Público quer que os R$ 27 milhões desviados sejam devolvidos aos cofres públicos.
Segundo o Ministério Público, a organização criminosa usava a estrutura da saúde do estado para pressionar os municípios a contratarem a editora. A liberação de exames e procedimentos médicos era condicionada à compra de livros. As investigações encontraram contratos suspeitos em pelo menos 17 cidades.
Com a denúncia apresentada, o processo entra em uma nova fase na Justiça. Ao mesmo tempo, os investigadores continuam analisando documentos, aparelhos eletrônicos, movimentações financeiras e informações obtidas com a quebra dos sigilos dos investigados.
Nos bastidores, a avaliação é de que a grande quantidade de provas pode levar a novas acusações ou até mesmo a novas operações, se surgirem elementos que indiquem a participação de outras pessoas ou empresas que ainda não fazem parte da ação penal.
Além da responsabilização criminal, o Ministério Público também pede a devolução de R$ 27 milhões aos cofres públicos, valor que, segundo a acusação, corresponde ao prejuízo causado pelo esquema.
Núcleo empresarial
De acordo com a denúncia, a família Jafar seria o centro da organização. Rossana Paroschi Jafar e seus filhos Giovanni, Felipe e Olívia são apontados como os responsáveis pelo controle da Editora Avante, mesmo que a empresa estivesse registrada em nome de Rhayane Souza Fanaia.
Durante o cumprimento dos mandados, agentes do Gaeco apreenderam documentos, livros, anotações financeiras e comprovantes de transferências bancárias. Para a investigação, esses materiais reforçam a suspeita de que a clínica da família funcionava como centro de operações do grupo.
A denúncia também aponta a participação de empresários, advogados e agentes públicos em diferentes áreas do esquema, como lavagem de dinheiro, operações financeiras e intermediação de contratos.
Defesa
Os investigados negam as acusações. A defesa do empresário Heyder Bartz afirmou que a denúncia é apenas uma etapa do processo e que a inocência será provada durante a investigação criminal.
Já o advogado que representa Matheus e Joatan Peixoto contestou o pedido de devolução dos R$ 27 milhões. Ele alega que as licitações foram feitas de forma regular, os produtos foram entregues, com notas fiscais e impostos pagos.
Enquanto a Justiça decide se aceita ou não a denúncia, a expectativa é de que o aprofundamento das investigações possa revelar novos desdobramentos da Operação Gutenberg, uma das maiores ações de combate à corrupção e ao crime organizado já realizadas em Mato Grosso do Sul. Por enquanto, não há anúncio oficial do Ministério Público sobre novas fases da operação, e qualquer nova ação dependerá do surgimento de novas provas.


Acir Pauta Diária





