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Mateus Simões ficou chateado com a briga política

Politica Política 31/07/2026 17:28 Salma Freua, O TEMPO otempo.com.br

Em março, Marcelo Aro disse que 'alguém' sairia chateado de uma briga política. Quatro meses depois, o governador Mateus Simões é quem ficou chateado, depois que Aro deixou o governo e virou seu adversário nas eleições.

Quando Marcelo Aro (PP) disse, em março deste ano, que 'alguém vai sair dessa história chateado', ainda não se sabia de quem ele estava falando. Na época, a dúvida era se o prejudicado seria o próprio ex-secretário de Governo, o senador Carlos Viana (PSD) ou outra pessoa. Quatro meses depois, a pessoa foi revelada: Mateus Simões.

  • Marcelo Aro era secretário de Governo de Mateus Simões e deixou o cargo para tentar ser governador.
  • Carlos Viana entrou na disputa por uma vaga no Senado, o que irritou Aro.
  • Aro disse que 'alguém sairia chateado' em março, e agora Simões ficou chateado.
  • Aro está negociando com partidos para virar adversário de Simões nas eleições.
  • Simões disse que a decepção foi maior porque Aro foi seu aluno e trabalhou com ele por quatro anos.

A frase foi dita em uma entrevista ao Café com Política, exibido no canal de O TEMPO no YouTube, logo depois que se soube que Viana poderia se filiar ao PSD e disputar uma das duas vagas ao Senado na chapa do governador. Até então, Aro trabalhava para que o PL ocupasse a outra vaga, possivelmente com o nome do deputado federal Domingos Sávio. O partido, no entanto, já estava relutante em compor com Simões, que apoia Romeu Zema (Novo) à Presidência da República, e não Flávio Bolsonaro (PL).

Contrariado, Aro afirmou na ocasião que não havia sido consultado sobre a mudança na composição da chapa. 'Não concordo com essa mexida, com esse movimento. Não fui consultado sobre isso, e acho que nos coloca numa posição de desconforto, porque só tem duas vagas para o Senado, e agora nós temos três candidaturas. A minha candidatura, a candidatura do Domingos Sávio, que deve ser o indicado do PL, e, agora, a candidatura do Carlos Viana', declarou, acrescentando: 'alguém vai sair dessa história chateado'.

O ex-secretário de Governo justificou a resistência a Viana afirmando que o senador não é um político que atua em grupo. Os dois são desafetos políticos desde 2018, com acusações de traição dos dois lados.

Naquele momento, porém, ninguém imaginava que a ruptura ocorreria da forma como ocorreu agora. Além de ter pulado de um barco que até agora não deslanchou (no primeiro semestre, Simões não conseguiu se aproximar do topo das pesquisas de intenção de voto), Aro pode se tornar adversário direto do governador na eleição ao governo de Minas, com o apoio dos partidos que haviam prometido levar a Simões como a federação União-PP, que tem o maior tempo de propaganda eleitoral e terceiro maior fundo eleitoral do país, e o PL - e com os 'louros' dos quatro anos que ocupou a cadeira de secretário da Casa Civil e de Governo de Zema e Simões.

Depois que a verdade já não poderia mais ser encoberta, Aro comunicou a Simões que estava há algumas semanas negociando a candidatura dele ao governo do estado. 'Eu digo que a decepção acaba perseguindo a gente na política porque a gente lida com gente de todos os tipos. Mas no caso dele, especificamente, que foi meu aluno, a decepção é um pouco maior, porque foi abrigado no governo durante quatro anos', declarou o governador após reunião com o ex-auxiliar na gestão estadual.

Nessa história, pelo menos até agora, quem 'saiu chateado' foi mesmo Mateus Simões.