O Itamaraty rebaixou o nível da conversa com a Argentina depois que Javier Milei xingou Lula e Alexandre de Moraes. O Brasil vai tratar apenas com um representante de menor escalão, o encarregado de negócios, enquanto durarem os ataques.
O governo brasileiro informou nesta terça-feira (4) que o embaixador da Argentina, Guillermo Daniel Raimondi, já pode voltar para Buenos Aires. A decisão é inédita na história dos dois países e significa que, a partir de agora, o Brasil só vai conversar com um representante de menor escalão do governo argentino, chamado de encarregado de negócios.
Essa medida é uma resposta às ofensas do presidente da Argentina, Javier Milei, contra o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes. O governo brasileiro não está expulsando o embaixador, mas deixou claro que ele não será mais consultado para assuntos importantes entre os dois países. Não há prazo para ele deixar o Brasil.
- O que é um encarregado de negócios É um representante de nível mais baixo, que cuida de assuntos do dia a dia, mas não tem o mesmo peso de um embaixador.
- Essa é a pior crise entre os dois países em décadas Sim, a Argentina é um dos principais parceiros comerciais do Brasil e essa situação é considerada muito grave.
- O que Milei falou Ele chamou Lula de ladrão e presidiário, e chamou o ministro Alexandre de Moraes de "lixo careca".
- O embaixador brasileiro na Argentina também está fora Sim, o embaixador brasileiro Julio Bitelli também não vai voltar para Buenos Aires agora.
- Como a Argentina reagiu O governo argentino disse que lamenta a decisão do Brasil e que prefere não responder com medidas institucionais.
O conflito começou há pouco mais de uma semana, quando Milei participou de um evento em São Paulo para apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro. No discurso, ele xingou o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes. No dia seguinte, o Brasil chamou o embaixador para dar explicações e trouxe de volta o embaixador brasileiro para Brasília.
Depois disso, a crise continuou. O ministro Dario Durigan (Fazenda) chamou Milei de "palhaço" e o ministro Guilherme Boulos o chamou de "caricatura patética". Lula, por sua vez, ironizou o presidente argentino, perguntando "quem é esse cara".
Argentina tenta amenizar, mas Milei ataca de novo
Enquanto isso, o governo argentino tentava minimizar a situação. O chanceler Pablo Quirno chegou a dizer em uma rádio que não havia chance de romper relações com o Brasil. No domingo, porém, Milei voltou a atacar Lula em uma entrevista, chamando-o de "ladrão", "corrupto" e "condenado". Ele também atacou o ministro Alexandre de Moraes, dizendo que ele negou uma visita a Jair Bolsonaro.
A avaliação do governo brasileiro é que a crise deve continuar enquanto Milei mantiver os ataques. A medida de rebaixar a relação diplomática é um sinal forte de que o Brasil não vai aceitar mais ofensas e decide se afastar de um dos seus principais aliados na região.


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