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05 de agosto de 2026

Flavio Bolsonaro escolhe Alfredo Gaspar como vice para a eleição presidencial

Politica Eleicoes 05/08/2026 14:01 Folhapress noticiasaominuto.com.br

O senador Flavio Bolsonaro anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente em sua chapa. A escolha busca fortalecer a campanha no Nordeste e dar ênfase à segurança pública. Gaspar é relator da comissão que investiga fraudes no INSS.

O senador Flávio Bolsonaro anunciou nesta quarta-feira (5) o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente em sua chapa na disputa pelo Palácio do Planalto.

A definição encerrou semanas de negociações internas e tentativas frustradas de formar uma aliança com partidos do centrão. A escolha também representa um aceno ao Nordeste, região em que Flávio aparece em desvantagem diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.

  • Quem é Alfredo Gaspar: ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas e ex-secretário de Segurança Pública do estado, é relator da CPMI do INSS.
  • Estratégia: Gaspar reforça o discurso de segurança pública e pode ajudar a conquistar votos no Nordeste.
  • Alianças frustradas: Partidos como PP, União Brasil e Republicanos não apoiarão a candidatura, reduzindo o tempo de TV de Flávio.
  • Preferências: Flávio queria uma mulher na vice, como Daniella Marques ou Tereza Cristina, mas ambas foram vetadas por seus partidos.
  • Prazo: A decisão foi anunciada antes do prazo final de 15 de agosto para registro das candidaturas.

Ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas e ex-secretário estadual de Segurança Pública, Gaspar é relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS. Ele deixou o União Brasil e se filiou ao PL em março, inicialmente com o objetivo de disputar uma vaga no Senado.

A presença do deputado na chapa reforça a estratégia de Flávio de priorizar a segurança pública durante a campanha. O senador vem adotando um discurso mais rígido sobre criminalidade e pretende explorar a experiência de Gaspar na área.

Como relator da CPMI do INSS, o parlamentar procurou associar as fraudes em aposentadorias e pensões ao governo Lula. O relatório elaborado por ele fez diversas menções ao presidente, mas reservou menos espaço para integrantes da gestão anterior.

Escolha contraria plano inicial

A composição formada por dois homens do PL contraria o plano inicial da campanha, que buscava uma mulher filiada a um partido aliado.

Flávio pretendia escolher um nome com projeção nacional, capaz de agregar votos e representar setores específicos do eleitorado, como mulheres, evangélicos, produtores rurais ou moradores do Nordeste.

A falta de uma coligação, porém, reduziu as opções do senador. Partidos como PP, União Brasil e Republicanos decidiram não apoiar formalmente a candidatura presidencial do PL.

Sem essas alianças, Flávio terá menos tempo de propaganda eleitoral na televisão do que Lula, que conta com o apoio de outras seis legendas.

Negociações com Daniella Marques e Tereza Cristina

A principal preferência de Flávio era Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo de Jair Bolsonaro.

O Republicanos, partido de Daniella, decidiu permanecer neutro na disputa presidencial. Mesmo após a decisão, Flávio elogiou publicamente a ex-presidente da Caixa e afirmou que gostaria de tê-la como companheira de chapa.

Outro nome cogitado foi o da senadora Tereza Cristina (PP-MS). O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, defendia sua escolha para a vaga.

Tereza chegou a aceitar a possibilidade de integrar a chapa após conversas com aliados de Flávio, mas o PP vetou a aliança. Assim como o Republicanos, o partido optou pela neutralidade após consultar seus diretórios estaduais.

Flávio admitiu dificuldade para definir vice

Na terça-feira (4), Flávio afirmou que a procura por um nome havia se transformado em uma "novela" e admitiu que a decisão poderia ser adiada até 15 de agosto, prazo final para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral.

Horas depois, no entanto, o PL informou que a escolha estava concluída e convocou a imprensa para o anúncio.

A dificuldade para formar uma chapa mais ampla foi atribuída por políticos do centrão à falta de diálogo e de articulação do senador. Integrantes do PL, por outro lado, afirmam que o poder de negociação do governo Lula afastou possíveis aliados.

A campanha também buscava uma mulher para reduzir a rejeição de Flávio entre as eleitoras. Dentro dessa estratégia, a dentista Fernanda Bolsonaro, mulher do senador, passou a participar de maneira mais ativa dos atos eleitorais.

A tentativa de aproximação com o público feminino ganhou importância após Michelle Bolsonaro afirmar publicamente que havia sido maltratada pelo enteado. Cerca de um mês depois, os dois deram sinais de reconciliação, e a ex-primeira-dama aceitou um pedido público de desculpas e prometeu colaborar com a campanha.