Levantamento do TSE mostra que candidatos típicos são homens, brancos, casados e com ensino superior, apesar de maior diversidade.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu cerca de 20.500 pedidos de registro de candidatos para as eleições de 2026, incluindo vices e suplentes. Esse número é 8,7 mil menor que o de 2022, o que mostra barreiras na participação, mas também esconde uma diversidade de perfis.
O levantamento confirma que o candidato típico ainda é homem (65%), branco (48,7%), casado (50%) e com ensino superior completo (58,5%). Enquanto apenas 17% dos eleitores têm curso universitário, 69% dos candidatos chegaram à universidade, e 85% desses terminaram o curso. Os candidatos com diploma são quase 60% do total, contra menos de 12% dos eleitores.
- Total de candidaturas caiu 8,7 mil em comparação a 2022.
- Candidato típico é homem, branco, casado e com ensino superior.
- Candidatos são muito mais escolarizados que o eleitorado.
- Medidas como cláusula de barreira e federações reduziram registros.
- Diversidade de raça e gênero aumentou, mas ainda é limitada.
Em relação à idade, os candidatos são mais maduros, com maioria entre 45 e 54 anos. O eleitorado também está envelhecendo: idosos com 60+ já são 23,6%, e os jovens até 30 anos são 21,55%.
Os números do TSE podem mudar até 14 de setembro, mas sem grandes impactos. O cientista político Celso Fernandes (ABRADEP) diz que a redução não é acidente: o sistema político trabalhou por esse resultado.
Isso não pode ser interpretado automaticamente como desinteresse, mas merece reflexão sobre as consequências das mudanças na competição eleitoral. O candidato típico continua sendo homem, adulto, casado e com ensino superior.
Fernandes cita medidas que reduziram os registros:
- Limitação de registros por partido para deputados (Lei 14.211, desde 2021).
- Cláusula de barreira (Emenda 97, desde 2017).
- Federações partidárias (Lei 14.208, desde 2021).
Temos uma representação política madura diante de um eleitorado que envelhece, mas a sociedade está mais diversa e escolarizada. As candidaturas acompanham parcialmente, mas ainda há barreiras de acesso.
Fernandes observa que o perfil já sinaliza leve diversificação, mas os eleitos ainda são essencialmente cristalizados. O sucesso eleitoral ainda pertence ao homem branco e à elite escolarizada.
O sociólogo Hector Vieira (Ibmec Brasília) analisa que o crescimento de candidatos pretos e pardos precisa ser visto pelos critérios dos partidos, como o financiamento. Em 2020, o TSE definiu cotas raciais no Fundo Eleitoral, mas os efeitos foram limitados. Homens brancos eram 5,1% dos candidatos em 2018 e receberam 32,4% dos recursos; em 2022, com 3,3%, ficaram com 17,8%.
Crescer no registro não é crescer na competitividade. Há mais brancos em cargos majoritários.
Entre as profissões, empresários (12,5%) e advogados (8,2%) lideram, mas há grande variedade: manicures, garis, motoboys, agricultores, técnicos de enfermagem e influenciadores digitais.
Quando o candidato já tem mandato, pode declarar isso como profissão: 4,3% são deputados e 3,9% vereadores. A concorrência varia: deputado distrital no DF tem 17,5 por vaga; deputado federal, 14,87; Senado tem 5,8 por vaga.
Sobre raça, pardos (36,2%) e pretos (13,6%) somam 49,9%, enquanto brancos são 48,7%. Indígenas são 0,93% e amarelos, 0,52%. Em gênero, 58% declararam identidade e 51% orientação sexual; mais de 99% se dizem cisgêneros e 98% heterossexuais. Só 53 usaram nome social.
Carmela Zigoni (Inesc) destaca que registrar esses dados aumenta a visibilidade, mas é preciso investimento real dos partidos. A visibilidade ajuda, mas a equidade só virá com leis e investimento efetivo.
O Centro-Oeste tem eleitorado jovem (49% até 40 anos), mas os candidatos seguem a média de 50 anos. O Nordeste tem a maior adesão à declaração de gênero e orientação. O Sudeste tem 66% de candidatos homens e 16% de pretos. O Sul tem mais candidatos jovens (11,5% até 35) e maior escolaridade. No Centro-Oeste, 56,6% dos eleitores são pardos, mas apenas 36,8% dos candidatos; 50,1% dos candidatos são brancos.
Essas desigualdades mostram que, apesar da diversidade crescente, a política brasileira ainda é dominada por um perfil tradicional.


Urna eletrônica - Jonnie Roriz/Estadão Conteúdo






