Sérgio Ricardo, presidente do Tribunal de Contas do Estado, confirmou que decidiu parar visitas e vistorias em obras públicas, especialmente na via MT-170, para não interferir no processo eleitoral e evitar acusações de ativismo político por parte de opositores.
O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Sérgio Ricardo, declarou que deu um tempo em suas fiscalizações presenciais. A medida tem como objetivo não interferir no processo eleitoral que está em curso no Brasil. Na manhã de quinta-feira (3), o TCE realizou uma mesa técnica em Cuiabá, reunindo representantes da estrutura interna do órgão, além da Secretaria de Infraestrutura (Sinfra), da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e das empresas responsáveis pela construção da rodovia MT-170.
Essa rodovia ficou conhecida popularmente como a estrada esfarelada devido ao mau estado de conservação. Durante o encontro realizado na capital, Sérgio Ricardo iniciou o debate sobre o assunto, lembrando que, no final do mês de maio de 2026, ele visitou pessoalmente trechos daquela via. Na época, ele notou que os problemas estruturais haviam se deteriorado de forma significativa em menos de um ano após a entrega da obra.
- O TCE parou vistorias presenciais para não influenciar as eleições.
- A decisão foi comunicada em uma reunião técnica realizada em Cuiabá.
- A estrada MT-170 é alvo de críticas por se deteriorar rapidamente.
- Um deputado suplente acusou o presidente do TCE de ativismo político.
- Sérgio Ricardo convocou eleitores para opinarem se as fiscalizações devem voltar.
Justiça eleitoral e conduta do tribunal
Segundo o presidente do TCE, a suspensão das vistorias foi uma decisão estratégica do colegiado. Ele explicou que o órgão optou por segurar o ritmo das visitas e inspeções. O motivo principal foi evitar o que ele chamou de desequilíbrio no processo eleitoral. Sérgio Ricardo enfatizou que essa pausa é necessária para manter a neutralidade institucional durante o período de campanhas.
Em suas declarações, o líder do tribunal admitiu que as ações de fiscalização anteriores estavam começando a gerar tumulto no ambiente político. Ele declarou não considerar justo interferir nesse cenário. O presidente citou que opositores começaram a utilizar frases como Ah! Estrada mal feita!. Para ele, essas críticas eram uma forma de pressionar o tribunal. Diante dessa dinâmica, Sérgio Ricardo anunciou que os conselheiros pausaram as atividades de controle externo.
Ele foi categórico ao afirmar que, enquanto a eleição não for concluída, o TCE não realizará fiscalizações adicionais. Eu não vou mais fazer fiscalização nenhuma. Só estou sendo justo com o processo eleitoral, ressaltou Sérgio Ricardo. A postura busca assegurar que a atuação do controle contábil e físico das obras não seja vista como uma arma política contra candidatos ou governos específicos.
Reação de políticos e redes sociais
As críticas à condução do TCE vieram logo após a viralização de vídeos mostrando a MT-170 em estado de deterioração avançada. Pouco tempo depois, o deputado estadual suplente Chico Guarnieri (PSDB) questionou publicamente Sérgio Ricardo sobre a retomada das fiscalizações. A manifestação ocorreu no início de junho de 2026. Guarnieri alegou que a retomada das inspeções se tratava de ativismo político, tentando associar o ato técnico a uma intenção partidária.
Naquela ocasião, a fala de Guarnieri foi interpretada pela ala política local como um recado enviado pelo Palácio Paiaguás, sede do Poder Executivo Estadual. O contexto indica que a pressão sobre o TCE tem origens institucionais e não apenas individuais. Essa dinâmica de pressão política complica a atuação independente que o tribunal de contas deve exercer perante a sociedade e os entes públicos.
Diante das acusações de viés político, Sérgio Ricardo respondeu de maneira inusitada. Ele convocou os eleitores que seguem o deputado estadual nas redes sociais para opinar sobre o caso. O presidente do TCE instigou o público a dizer se suas fiscalizações deveriam continuar. Essa ação gerou uma onda de ataques e ofensas direcionados a Sérgio Ricardo, fenômeno conhecido como rage bait. Essa tática visa provocar raiva e engajamento negativo, mas também demonstra a polarização em torno da fiscalização de recursos públicos.


Folhamax





