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06 de outubro de 2026

ACM Neto e Jerônimo Rodrigues: Quem vai vencer a corrida apertada pelo governo da Bahia?

Politica Eleição 03/10/2026 09:01 Fernando Duarte, Bahia Notícias bahianoticias.com.br

Analista aponta que a disputa na Bahia está acirrada, com ACM Neto chegando às urnas como azarão devido à força da máquina do governo, enquanto Jerônimo Rodrigues, o atual governador, tem a vantagem estrutural, mas enfrenta uma oposição forte e uma população dividida.

Ainda que apareça à frente em algumas pesquisas, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, chega às urnas na condição de azarão na disputa pelo governo da Bahia, apesar de ter chances reais de vitória. Há alguns meses, era possível considerá-lo favorito, já que o governo de Jerônimo Rodrigues (PT) tinha uma expressividade desproporcional à simpatia do governador. A única qualidade muito destacada em Jerônimo era o modo simpático com que tratava aliados e até adversários.

Agora, Jerônimo reassumiu a posição que sempre lhe coube por estar sentado na cadeira de governador e ter a máquina pública ao seu favor: ele é o favorito para a reeleição. Isso não significa, porém, que a disputa baiana já esteja com favas contadas.

  • A campanha na Bahia está tecnicamente empatada até o dia anterior à votação, com lideranças alternando conforme a metodologia das pesquisas.
  • Jerônimo Rodrigues é considerado o mais claudicante entre os governadores petistas candidatos à reeleição, perdendo para a força que Wagner e Rui Costa tiveram.
  • ACM Neto se posicionou como uma oposição civilizada, não revidando com a mesma força aos ataques de aliados do governador.
  • A tese de que o voto em Lula favorece Neto ainda ressoa em parte da população baiana, dificultando a campanha do governador.
  • A expectativa é de uma eleição apertada, nos moldes de 2022, com alta abstenção e possível crítica de metade do estado ao vencedor.

Força do PT e empate técnico

Com a proximidade do primeiro turno, o PT baiano retomou a força vista desde 2006, quando venceu o Palácio de Ondina pela primeira vez. Como propôs o colunista Victor Pinto, o partido é de chegada, razão pela qual boa parte da militância descredibiliza pesquisas realizadas em fases iniciais da campanha, que colocam a oposição à frente. No entanto, em 2026, essa força não foi inteiramente prevista, mesmo por institutos de pesquisa que, no passado recente, traziam dados favoráveis ao petismo. O empate técnico entre Jerônimo e ACM Neto não apenas persiste, como se mantém até o dia anterior ao pleito. Ora com Jerônimo liderando, ora com o próprio ACM Neto liderando a depender da metodologia e da técnica utilizada para mensurar.

Comparação com governos anteriores

Para quem teve a máquina na mão, não apenas no estado, mas no plano federal, Jerônimo foi o mais claudicante dos governadores petistas candidatos à reeleição. Jaques Wagner, em 2010, e Rui Costa, em 2018, sobravam nas campanhas, mesmo com nomes que, potencialmente, poderiam exercer uma força antagônica nas urnas. Paulo Souto já era um ex-governador de dois mandatos e José Ronaldo sequer conseguiu repetir, em Feira de Santana, a força que o mantém no comando da segunda maior cidade da Bahia há alguns bons mandatos. Ambos, todavia, não eram ACM Neto.

Oposição civilizada e ataques

O ex-prefeito de Salvador demorou para se restabelecer após a derrota no segundo turno de 2022. Entretanto, não dá para dizer que ele fez uma oposição radical ou imponderada. Quando retomou a agenda política, ACM Neto manteve um nível crítico que remete à civilidade que outrora víamos no Brasil. Ainda assim, durante a campanha, ele foi acossado com ataques sucessivos de aliados do governador, sem revidar na mesma moeda vide a forma como ele reagiu às denúncias contra Jaques Wagner, no caso do Banco Master, e a forma como ele mesmo fora tratado em episódio similar. Ainda que petistas e aliados queiram colocá-lo no patamar de bolsonarista, nem de longe o candidato do União Brasil segue a linha antidemocracia, presente no discurso (e nos atos) do grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A vantagem da máquina pública

A condição de azarão que agora cabe a ACM Neto não é, necessariamente, por ele ter menos chances de vencer a disputa na Bahia. É resultado dele estar contra uma corrente bem típica de quem controla a máquina, como Jerônimo, e de quem não possui um grande eleitor, como Luiz Inácio Lula da Silva. E, por mais que a tese do voto Lula-Neto tenha sido amplamente combatida pelo PT, inclusive judicialmente, é um fato que parte da população baiana enxerga essa combinação como benéfica para o estado.

Já Jerônimo não pôde ser tratado como azarão em qualquer momento da campanha. Na condição de governador, ele tem a obrigação da reeleição, tanto quanto qualquer outro candidato que, com mandato no Executivo, controla a máquina pública para benefício próprio (e não sejamos inocentes de achar que ninguém o faz, independente da matiz política). Por isso, nas urnas, surpresa real seria ele não chegar como favorito.

Cenário pós-eleição

É muito provável que, quem sair das urnas, vai ter que lidar com uma outra metade da Bahia como crítica ao modelo proposto ainda que decidida em primeiro turno, a disputa tende a ser apertada, nos mesmos moldes de quatro anos atrás. A eleição peruana, proposta pelo cientista político Antonio Lavareda, para classificar uma decisão voto a voto cabe por aqui. E olha que o número de votos brancos e abstenções também tende a ser mantido em altos percentuais, como nos últimos pleitos. A torcida é para que essa bipolaridade arrastada há anos na Bahia não gere fraturas como vemos no plano nacional.