Preso por tentativa de golpe e inelegível, Jair Bolsonaro busca manter controle político eleger três filhos, a esposa Michelle, o irmão Renato, a ex-mulher Rogéria e dois cunhados. Flávio é o candidato a presidente, enquanto Michelle corre para o Senado pelo DF.
Preso por tentativa de golpe de Estado e declarado inelegível, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) busca eleger neste domingo (4) três filhos, um irmão, a atual mulher, uma ex e dois cunhados. O objetivo central da estratégia é manter o controle sobre o chamado "espólio eleitoral", garantindo presença parlamentar próxima ao seu núcleo político.
Bolsonaro escolheu o filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), como candidato à Presidência. Com isso, tenta transformar Flávio em seu principal herdeiro político para as eleições de 2026. Essa decisão frustrou a expectativa de aliados que apostavam no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
- Flávio Bolsonaro (PL) é o candidato a Presidente, visto como herdeiro direto do pai.
- Michelle Bolsonaro (PL) é candidata ao Senado pelo DF e lidera pesquisas na corrida.
- Renato Bolsonaro (PL) disputa vaga de Deputado Federal em SP com o número 2222.
- Carlos Bolsonaro (PL) migrou para Santa Catarina para disputar o Senado.
- Rogéria Bolsonaro (PL), a ex-mulher, concorre a Deputada Federal pelo Rio de Janeiro.
Michelle assume o Senado e cunhados disputam a Câmara
Bolsonaro também lançou a mulher, Michelle Bolsonaro (PL), como candidata ao Senado pelo Distrito Federal. Em sua estreia na política, a ex-primeira-dama lidera as pesquisas de intenção de voto e é vista como uma das principais apostas para a perpetuação do bolsonarismo, apesar da desconfiança de parte da própria direita.
Após semanas relatando estar indecisa sobre entrar ou não para a política, a ex-primeira-dama confirmou a candidatura, dizendo que a decisão havia sido compartilhada com o marido.
"Ele [Bolsonaro] quer muito [o mandato dela no Senado], é um desejo do coração dele. Eu acho que é natural, pelo nosso trabalho, pelo Brasil, a gente influenciar, incentivar as mulheres de bem a estarem na política", declarou Michelle em junho.
Michelle indicou um dos seus irmãos, Diego Torres (PL), como primeiro suplente e quer eleger outro. A ex-primeira-dama explorou sua popularidade em Brasília para tentar emplacar Eduardo Torres (PL), que disputa pela segunda vez uma vaga a deputado distrital.
Irmão e filhos disputam vagas no Congresso
Assim como Eduardo, Renato Bolsonaro (PL), irmão de Jair Bolsonaro, disputa as eleições para deputado federal por São Paulo com um dos números mais cobiçados no PL: o 2222. Das oito vezes em que foi candidato, Renato venceu apenas uma: foi eleito vereador por Praia Grande (SP) em 1996.
Outros dois filhos de Bolsonaro também serão testados nas urnas novamente. Carlos Bolsonaro (PL) deixou o Rio de Janeiro para aproveitar o favoritismo do patriarca em um dos estados mais bolsonaristas do país, Santa Catarina.
Depois de sete mandatos consecutivos como vereador do Rio de Janeiro, Carlos disputa uma vaga ao Senado. A corrida ocorre em meio à ofensiva da oposição, que busca reverter o atual jogo de forças, obter maioria e conseguir aprovar o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
Quem fica de fora e o caso do "Filho 04"
A migração para Santa Catarina teve início com o "filho 04", Jair Renan (PL), eleito em 2024 como vereador de Balneário Camboriú (SC). Agora, na metade do mandato, Jair Renan tenta uma vaga na Câmara dos Deputados pelo estado.
No mês passado, as faltas de Jair Renan foram questionadas pelo vereador Marcelo Achutti (MDB). "Agora, [se] está em campanha eleitoral, faça como os demais. Eu, quando fui candidato, me licenciei e dei lugar ao suplente", criticou Achutti.
Jair Renan respondeu dizendo que precisa faltar "para dar uma força" para o pai. "Só queria explicar por conta da minha falta na quarta-feira. E quase toda quarta-feira eu devo faltar porque eu tenho que visitar meu pai, hoje preso político, perseguido por todas as instâncias", justificou-se.
Dos cinco filhos de Bolsonaro, apenas dois estão fora da disputa: a mais nova, Laura, que tem 15 anos, e Eduardo Bolsonaro (PL), que se autoexilou nos Estados Unidos. Eduardo queria concorrer ao cargo de suplente de senador na chapa de André do Prado (PL) por São Paulo, mas acabou desistindo.
A lista do bolsonarismo inclui também a mãe dos filhos "01, 02 e 03", Rogéria Bolsonaro (PL), candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro.
Flávio planejava colocar a mãe como suplente de Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo (RJ). A articulação acabou frustrada depois que Canella foi alvo de mandado de busca e apreensão, acabou preso em flagrante por portar um fuzil calibre .556 no carro e desistiu da candidatura.


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