Institutos de pesquisa mostraram Flávio Bolsonaro à frente no segundo turno, mas os resultados das urnas confirmaram a reeleição de Lula, reacendendo debates sobre a precisão e a metodologia dos levantamentos eleitorais.
O resultado das eleições presidenciais de 2026 colocou em dúvida a precisão dos institutos de pesquisa eleitoral no Brasil. Na reta final da campanha, levantamentos divulgados por empresas tradicionais indicavam que o senador Flávio Bolsonaro (PL) estava numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, o resultado das urnas contrariou essas projeções e confirmou a vitória do petista no segundo turno, realizado neste domingo (25).
O episódio representa mais um revés para os institutos, que já haviam enfrentado dificuldades para antecipar corretamente o desempenho dos candidatos no primeiro turno. Na ocasião, Flávio terminou a primeira etapa na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. A disputa ganhou contornos históricos com a vitória de Lula, que garantiu seu quarto mandato presidencial. O resultado também marcou uma reviravolta, já que o candidato que havia encerrado o primeiro turno atrás conseguiu superar o adversário na etapa decisiva.
- A Datafolha apontou Flávio com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula.
- A pesquisa Vox Brasil foi a única a indicar a vitória de Lula, com 50,6% contra 49,4% de Flávio.
- No primeiro turno, a Vox também havia colocado Flávio à frente, mas com uma margem estreita.
- O resultado oficial, com 97% das urnas apuradas, mostrou Lula com 51,74% e Flávio com 48,26%.
- O caso reacende o debate sobre a metodologia e a capacidade de captar mudanças de última hora no eleitorado.
Institutos apostavam em vantagem de Flávio
Na véspera da votação, o cenário apresentado pelas principais pesquisas era praticamente o mesmo: Flávio aparecia numericamente à frente, embora dentro da margem de erro dos levantamentos. A Datafolha, divulgada no sábado (24), estimou 51% dos votos válidos para o senador, contra 49% para Lula. Essa projeção, porém, não se confirmou nas urnas.
Entre os levantamentos divulgados naquele período, a Pesquisa Vox Brasil foi a única a indicar a vitória do presidente. O instituto projetou 50,6% dos votos válidos para Lula e 49,4% para Flávio Bolsonaro, com uma margem de erro de 2,15 pontos percentuais. Curiosamente, no primeiro turno, a Vox também havia colocado Flávio numericamente à frente em sua última sondagem, estimando 45,9% para o candidato do PL e 45% para o petista. O resultado oficial acabou registrando 47,03% e 45,16%, respectivamente.
Os números divulgados na véspera do segundo turno mostravam uma disputa apertada, mas com vantagem numérica para o senador nas projeções de diferentes empresas de pesquisa. A Quaest indicava Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula. Na intenção de votos totais, o senador aparecia com 46%, enquanto o presidente registrava 45%. Brancos e nulos somavam 8%, e 1% dos entrevistados permanecia indeciso.
Projeções das principais agências
O levantamento da Datafolha divulgado na véspera da eleição também apontava vantagem de dois pontos percentuais para Flávio. O senador tinha 51% dos votos válidos, enquanto Lula aparecia com 49%. Na contagem de votos totais, Flávio registrava 48%, contra 47% do presidente. Brancos e nulos representavam 3%, e os indecisos, 2%.
A sondagem da CNT/MDA projetava uma diferença menor entre os candidatos, mas também colocava o representante do PL na frente. Flávio Bolsonaro aparecia com 50,7% dos votos válidos, enquanto Lula somava 49,3%, uma distância de 1,4 ponto percentual. O levantamento BTG/Nexus indicava um cenário igualmente apertado: Flávio tinha 50,5% dos votos válidos, contra 49,5% de Lula, diferença de apenas um ponto percentual.
A AtlasIntel também apontava vantagem numérica para o senador. Na estimativa de votos válidos, Flávio aparecia com 50,5%, enquanto Lula registrava 49,5%. Na pesquisa de votos totais, o candidato do PL tinha 49,9%, contra 48,4% do petista. Brancos, nulos e entrevistados que não responderam representavam 1,7%.
Resultado das urnas contrariou projeções
A confirmação da vitória de Lula ocorreu às 21h08, quando aproximadamente 97% das urnas já haviam sido apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Naquele momento, o presidente registrava 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Flávio Bolsonaro.
A diferença entre as projeções divulgadas na véspera e o resultado oficial reacende o debate sobre a metodologia utilizada pelos institutos, a capacidade de captar mudanças de última hora no comportamento do eleitorado e a confiabilidade dos levantamentos apresentados durante o período eleitoral. Embora pesquisas eleitorais representem retratos de um determinado momento e não previsões definitivas do resultado, a sequência de divergências entre levantamentos e urnas amplia a pressão por transparência metodológica e maior precisão na divulgação dos cenários eleitorais.


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