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17 de agosto de 2026

Brasil registra 24 casos de sarampo e alerta para vacinação

SAÚDE Alerta 17/08/2026 07:46 Assessoria de Imprensa - Estadão MT estadaomatogrosso.com.br

O Ministério da Saúde confirmou 24 casos de sarampo no Brasil em 2026, com a maioria em São Paulo. A pasta reforça a importância da vacinação para prevenir a reintrodução e a circulação da doença no país. A vacina é gratuita pelo SUS e a principal forma de proteção.

O Ministério da Saúde está reforçando o alerta para a vacinação contra o sarampo para todas as pessoas de 6 meses a 59 anos de idade. A medida foi tomada após a confirmação de uma cadeia de transmissão do vírus relacionada à sua importação, o que acendeu o alerta para o risco de reintrodução da doença no país.

Até o momento, o Brasil confirmou 24 casos de sarampo em 2026, sendo 23 em São Paulo e 1 no Rio de Janeiro. As investigações epidemiológicas estão em andamento e, até agora, os casos são classificados como de fonte de infecção desconhecida.

5 pontos rápidos para você entender a notícia:

  • O que é o sarampo É uma doença viral altamente contagiosa, transmitida pelo ar, que pode causar complicações graves, como pneumonia e inflamação no cérebro.
  • Por que o alerta agora O Brasil confirmou 24 casos em 2026, o que indica que o vírus pode estar circulando novamente. A maioria dos casos foi registrada em São Paulo e um no Rio de Janeiro.
  • Como se proteger A melhor forma de prevenção é a vacina, que é segura, eficaz e gratuita no SUS. Ela protege você e ajuda a evitar a propagação do vírus para outras pessoas.
  • Quais são os sintomas Os primeiros sintomas são febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e mal-estar. Depois, aparecem manchas avermelhadas no corpo.
  • Quem deve se vacinar Crianças a partir de 12 meses, jovens e adultos até 59 anos. Quem não tem certeza se está em dia com a vacina, deve procurar um posto de saúde.

O sarampo é causado por um vírus do gênero Morbillivirus e é transmitido por meio de secreções respiratórias eliminadas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. O vírus pode permanecer suspenso no ar por até duas horas em ambientes fechados, o que explica sua elevada capacidade de transmissão.

Segundo a Dra. Michelle Zicker, infectologista do São Cristóvão Saúde, o cenário exige atenção constante, principalmente em regiões com grande circulação de pessoas, como terminais de ônibus, aeroportos e shopping centers.

O sarampo é uma das doenças mais contagiosas conhecidas. Uma única pessoa infectada pode transmitir o vírus para mais de 90% das pessoas suscetíveis que estejam próximas. Embora o Brasil mantenha o status de país livre da circulação endêmica do vírus, a ocorrência de casos importados e de cadeias de transmissão mostra que o risco de reintrodução permanece, especialmente em grandes centros urbanos e regiões com intenso fluxo de pessoas que vieram de outros países, explica.

O atual surto foi identificado em uma área de intensa mobilidade populacional, com elevado fluxo de viajantes internacionais e circulação frequente de pessoas provenientes de outros países, fatores que facilitam a introdução do vírus.

Para a especialista, manter altas coberturas vacinais é essencial para impedir que casos importados provoquem transmissão sustentada, ou seja, que o vírus comece a se espalhar entre a população.

Mesmo quando o vírus é trazido de outro país, ele só consegue se espalhar se encontrar pessoas desprotegidas. Quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de ocorrência de novos surtos, destaca a especialista.

Sintomas exigem atenção

Os primeiros sintomas costumam incluir:

  • Febre alta (acima de 38,5°);
  • Tosse;
  • Coriza;
  • Conjuntivite;
  • Mal-estar intenso.

Após alguns dias, surgem manchas avermelhadas na pele (exantema), inicialmente no rosto e atrás das orelhas, espalhando-se posteriormente para o restante do corpo. Ao notar esses sintomas, é importante procurar atendimento médico para confirmar o diagnóstico e evitar a transmissão.

Complicações podem ser graves

Embora muitas pessoas se recuperem sem sequelas, o sarampo pode causar complicações importantes, principalmente em crianças menores de cinco anos, gestantes, idosos e pessoas com baixa imunidade.

Entre as principais complicações estão:

  • Pneumonia (infecção nos pulmões);
  • Otite (infecção no ouvido);
  • Diarreia;
  • Encefalite (inflamação no cérebro);
  • Óbito.

Também existe uma complicação rara e bastante grave, conhecida como Panencefalite Esclerosante Subaguda (PEES), uma doença neurológica que pode surgir anos após a infecção.

Segundo a Dra. Michelle Zicker, ainda não há medicamento capaz de eliminar o vírus do sarampo. O tratamento é voltado para aliviar os sintomas e prevenir complicações, com hidratação, controle da febre, suporte clínico e, em alguns casos, suplementação de vitamina A.

Como não existe tratamento específico, a prevenção continua sendo nossa principal ferramenta. A vacinação é segura, eficaz e impede tanto o adoecimento quanto a circulação do vírus, afirma.

Quem deve se vacinar

No Brasil, a proteção é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por meio das vacinas, tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela). A dupla viral (sarampo e rubéola) pode ser ofertada para bloqueio vacinal e situações de surto.

As recomendações incluem:

  • Crianças de 12 meses devem receber a primeira dose da tríplice viral e, aos 15 meses, a segunda dose com a vacina tetraviral ou tríplice viral, conforme o calendário vigente;
  • Pessoas de 7 a 29 anos devem ter duas doses registradas;
  • Adultos de 30 a 59 anos devem ter pelo menos uma dose documentada;
  • Profissionais de saúde devem comprovar duas doses, independentemente da idade.

Além das doses de rotina estabelecidas no Calendário Nacional de Vacinação, a vacinação para o sarampo pode ser indicada para crianças de seis meses a menores de um ano, em localidades com surto da doença. Pessoas imunocomprometidas devem ser avaliadas individualmente pelo médico antes da imunização.

A infectologista reforça que, diante da confirmação de novos casos no estado de São Paulo, é fundamental que a população verifique a caderneta de vacinação e procure uma unidade de saúde caso exista dúvida sobre o esquema vacinal.

O sarampo é uma doença de fácil prevenção, tendo a vacina como a forma mais eficiente de proteger não apenas o indivíduo, mas toda a comunidade, evitando que o vírus volte a circular de maneira sustentada no país, conclui.