Debate sobre menopausa ganha espaço na saúde pública; fogachos afetam sono, trabalho e qualidade de vida, com opções de manejo além da reposição hormonal.
Menopausa deixou de ser apenas um tema privado para se tornar uma questão relevante de saúde pública. Os choques de calor, chamados de fogachos, são comuns e impactam diretamente o dia a dia das mulheres, incluindo sono, trabalho e bem-estar emocional.
Entre as estatísticas, observa-se que entre metade e três quartos das mulheres na menopausa sofrem com ondas de calor, e cerca de um terço apresenta sintomas moderados ou graves. Estima-se que milhões de brasileiras estejam nessa fase de transição hormonal.
Os fogachos não são apenas desconforto passageiro. Eles podem ocorrer várias vezes ao dia, interromper reuniões, atrapalhar apresentações, prejudicar o sono e causar cansaço crônico. No período noturno, o sono fica fragmentado, afetando memória, concentração, produtividade e qualidade de vida. O impacto vai além do desconforto físico, atingindo aspectos sociais, emocionais e econômicos.
Como a ciência explica
A redução dos níveis de estrogênio deixa o hipotálamo, receptor do controle da temperatura, mais sensível às mudanças mínimas de calor. O organismo reage com vasodilatação e sudorese intensas. Não é exagero: é uma resposta fisiológica natural às mudanças hormonais dessa etapa da vida.
Por outro lado, muitas mulheres ainda buscam menos orientação médica por acreditarem que há pouco a fazer uma postura que mantém parte das mulheres sem tratamento, mesmo diante dos prejuízos diários.
Abordagens de tratamento
Além da reposição hormonal, que nem sempre é indicada para todas, há espaço para hábitos de vida saudáveis, controle de peso, atividade física regular, alimentação equilibrada, manejo do estresse e, quando indicado por profissionais de saúde, suplementação nutricional que possa contribuir para o bem-estar durante a menopausa.
Há também evidências crescentes de que fogachos frequentes podem estar associados a maior risco cardiovascular, o que reforça a necessidade de acompanhamento médico adequado e uma visão de bem-estar ampliada no ambiente de trabalho e na sociedade.
À medida que a população brasileira envelhece, discutir menopausa deixa de ser pauta apenas feminina para tornar-se uma questão de saúde pública. Profissionais de saúde devem acolher essas pacientes sem minimizar seus relatos, e a sociedade precisa abandonar a ideia de que sofrer em silêncio faz parte do envelhecimento.
A menopausa não é uma doença, mas não deve ser tratada como um período apenas para aprender a conviver com sintomas incapacitantes. Informação de qualidade, acompanhamento médico individualizado e maior conscientização social são ferramentas fundamentais para que viver mais signifique também viver melhor.
* Vanessa Oliveira é biomédica e doutoranda em Neurociências, com atuação em bioquímica, toxicologia, envelhecimento celular e saúde preventiva.
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- Fogachos comuns em muitas mulheres na menopausa
- Impacto no sono e na produtividade é significativo
- Há opções de manejo além da reposição hormonal
- Risco cardiovascular pode aumentar com frequência de fogachos
- A conversa sobre menopausa precisa ser mais aberta no trabalho e na saúde


Vanessa Oliveira (Ajustada por IA)





