Estado registrou 2.255 hospitalizações por queimaduras em 2025, o que representa 32,7% de todas as lesões não intencionais. Quedas seguem em primeiro lugar, mas queimaduras e trânsito também são causas críticas. Estudo alerta que 90% dos casos seriam evitáveis com supervisão.
Queimaduras responderam por 2.255 das 6.893 hospitalizações de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos por acidentes no Rio de Janeiro em 2025. Isso representa 32,7% de todos os casos de lesões não intencionais registrados no período no estado.
Os dados fazem parte de um levantamento do Projeto Criança Segura, realizado pela Aldeias Infantis SOS, com base em informações oficiais do Ministério da Saúde. O estudo destaca a gravidade do problema e a necessidade de prevenção mais ativa em diversas frentes.
Principais causas de internação por acidentes no RJ
- Quedas: 2.598 internações (37,7% do total estadual);
- Queimaduras: 2.255 internações (32,7% do total estadual);
- Acidentes de trânsito: 591 internações (8,6% do total estadual);
- Intoxicações: 95 internações entre crianças e adolescentes de 0 a 14 anos.
- Quem poderia evitar a maior parte dos acidentes A supervisão atenta e a informação adequada das famílias e do poder público.
Para José Carlos Sturza de Moraes, cientista social e pesquisador do Projeto Criança Segura, os números mostram que não existe uma única realidade quando falamos de acidentes na infância. As quedas continuaram sendo o principal motivo de internação, mas as queimaduras apresentaram participação especialmente elevada.
Segundo Sturza, conhecer esse perfil é fundamental para orientar campanhas informativas nas escolas e comunidades. Também é essencial para o poder público preparar-se melhor para atender às crianças que já sofreram algum acidente.
O estudo destaca um dado alarmante: mais de 90% dos acidentes envolvendo crianças e adolescentes poderiam ter sido evitados. Isso seria possível com supervisão adequada e com mais informação para reduzir situações de risco nos diferentes espaços frequentados por essa população.
Mortes por acidente: sufocamento lidera em todo o Brasil
Além das internações, o levantamento traz estatísticas sobre mortes de crianças e adolescentes de até 14 anos em todo o Brasil, referentes ao ano de 2024. No total, foram 3.341 mortes em oito categorias analisadas.
A morte por sufocamento foi a principal causa, com 1.039 óbitos, o que representa 31,1% do total. Em seguida aparecem os acidentes de trânsito, com 922 casos (27,6%), e os afogamentos, com 850 casos (25,4%). Apenas essas três causas juntas responderam por cerca de 84,1% de todas as mortes no período.
Como a mortalidade muda conforme a idade
O perfil das vítimas muda conforme a faixa etária. Crianças de 1 a 4 anos concentraaram 1.095 mortes, representando 32,8% do total nacional. Os menores de 1 ano somaram 930 óbitos, ou 27,8%.
Entre as mortes por sufocamento, 75% das vítimas eram bebês. Já os afogamentos foram mais frequentes entre crianças de 1 a 4 anos. Os acidentes de trânsito atingiram diferentes grupos, incluindo ocupantes de automóveis, caminhonetes, pedestres, motociclistas e ciclistas.
Sturza reforça que o desafio é fomentar uma cultura de cuidado e responsabilidade coletiva. Essa postura garante a segurança e o bem-estar das crianças e adolescentes, permitindo que eles se desenvolvam plenamente como indivíduos.


Queimaduras são uma das principais causas de internação de crianças no RJ. Foto: Magnific (Ajustada por IA)





