Um oftalmologista alertou em Salvador que o uso excessivo de telas por crianças e adolescentes reduz o hábito natural de piscar, causando secura e irritação nos olhos. A especialista sugere limitar o tempo de tela em até duas horas por dia para proteger a saúde ocular.
O uso em excesso de celulares e tablets por crianças e adolescentes está fazendo com que eles piscem menos do que o normal. Essa mudança no hábito natural do olho é a principal causa do aumento dos casos de 'olho seco' nos consultórios de oftalmologia pediátrica. O alerta foi dado pela médica Ana Paula Silverio durante um congresso na Bahia.
A condição do olho seco acontece quando os olhos não produzem lágrimas suficientes ou quando as lágrimas evaporam muito rápido, deixando a superfície do olho sem lubrificação. O resultado é um desconforto que muitos pais relatam sentir nos filhos. É como se houvesse areia dentro do olho, além de sensações de ardência, coceira, vermelhidão e uma vista que fica embaçada de repente.
O que fazer para proteger a visão das crianças
- Piscar é um ato automático que lubrifica o olho, mas olhando para telas, a gente esquece de fazer isso.
- A tela do celular é a que mais prejudica, pois fica muito próxima do rosto.
- A especialista indica um limite máximo de duas horas de tela por dia para quem tem mais de 6 anos.
- Muitos adolescentes usam o celular no escuro do quarto, o que agrava ainda mais o cansaço visual.
- As escolas já usam tablets para estudo, então o tempo de tela em casa aumenta no fim do day.
O impacto das telas no cotidiano dos jovens
Ana Paula Silverio explica que, quando passamos horas com uma tela bem pertinho do rosto, o corpo esquece de piscar. Com menos piscadas, a lágrima seca mais rápido e o olho sente aquela secura desconfortável. A médica notou que as mães e pais estão chegando nas consultas reclamando que a criança começou a piscar de um jeito diferente ou queixando-se de dor ou incômodo.
As mães trazem a criança ou o adolescente com essa queixa, que começou a piscar mais, além de uma sensação de desconforto, explicou, ao participar de debate durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), que está sendo realizado em Salvador até o próximo sábado (12).
Adolescentes correm mais risco
Segundo a especialista, os adolescentes são os mais expostos a esse problema. Eles passam a maior parte do tempo conectados ao celular, que é a tela menor de todas, mas a que mais cansa a visão por ficar tão perto. Outro fator preocupante é o ambiente: muitos jovens usam o aparelho no quarto com a luz apagada ou muito baixa, o que faz o esforço dos olhos ser ainda maior.
Os adolescentes passam muito mais tempo no celular. Nas escolas, eles já fazem a maior parte dos estudos no tablet ou no computador. Voltam para casa e usam o celular no horário recreativo. A gente ainda vê os pequenos brincando, mas com os adolescentes é mais difícil. Os pais já chegam falando: Doutora, fala pra ele que não pode usar o celular assim, contou.
A médica reconhece que é muito difícil tirar o celular da vida das crianças hoje em dia. Segundo ela, seria necessário mandar os jovens para outro planeta para que não tivessem acesso ao aparelho. No entanto, ela enfatiza a necessidade de impor limites de tempo no uso diário. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, por exemplo, um máximo de duas horas de telas para crianças acima de 6 anos e para adolescentes.


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