Estudo aponta aumento significativo de mortes por suicídio entre adolescentes de 10 a 24 anos, com destaque para a alta taxa entre homens, mas crescimento acelerado entre mulheres; especialistas alertam sobre sinais de alerta e fatores de risco.
O Setembro Amarelo, movimento que busca conscientizar e prevenir o suicídio, ganha neste ano um alerta especial para os jovens. Um estudo publicado na revista The Lancet Regional Health Americas, usando dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mostrou que o número de mortes por suicídio de pessoas de 10 a 24 anos subiu 38% nas Américas em pouco mais de duas décadas.
O dado mais preocupante é a diferença entre os sexos: 75% das mortes ocorreram entre homens, com uma taxa quase três vezes maior que a das mulheres. No entanto, o ritmo de crescimento tem sido mais acelerado entre as jovens, o que muda o foco das campanhas de prevenção.
- O aumento de 38% ocorreu entre 2000 e 2021, indo de 5,70 para 7,84 mortes a cada 100 mil habitantes.
- No Brasil, isso significa cerca de 42 mortes diárias, ou seja, uma pessoa a cada 35 minutos.
- Para cada suicídio consumado, estima-se que 25 pessoas tentem tirar a própria vida.
- 96,8% dos casos têm ligação direta com algum transtorno mental pré-existente.
- Bullying, uso excessivo de redes sociais e problemas de sono são fatores de risco importantes.
Sinais de alerta e fatores de risco
Os números mostram que a taxa de suicídio foi de 5,70 para 7,84 por 100 mil habitantes. O especialista em neurociência Dr. Albert Nilo Costa, da Afya Educação Médica, explica que os sinais de alerta incluem mudanças de humor, irritabilidade e alterações no comportamento na escola e em casa. Ele destaca que a presença de um transtorno mental é quase sempre uma pré-condição para esses atos.
Dra. Sabrina Magalhães Teixeira, coordenadora de Psicologia da Afya Sete Lagoas, alerta que muitos jovens escondem a dor porque têm medo de serem julgados como fracos ou dramáticos. Para eles, falar o problema é ser visto como um fardo, o que gera um ciclo de silêncio que dificulta o tratamento precoce.
Além da genética, o ambiente social pesa. O bullying, a violência doméstica, a pobreza e até o uso noturno de smartphones, que prejudica o sono, aumentam a vulnerabilidade. A OMS reforça que experiências traumáticas na infância são gatilhos fortes para problemas psiquiátricos na adolescência.
A médica psicóloga explica que é comum os jovens acharem que estão protegendo a família ao não falar. Porém, ao não buscar ajuda, eles correm risco maior. O medo de perder autonomia ou ser punido pelos pais também faz com que deixem de procurar suporte quando mais precisam.
Realidade nacional e o papel da família
No Brasil, os dados de 2021 mostram 15.507 casos, o que representa uma média de 42 mortes por dia. Esse cenário destaca a urgência de políticas públicas de saúde mental focadas na juventude. A prevenção precisa ser diferenciada para homens e mulheres, pois embora os homens morram mais, as tentativas femininas crescem mais rápido.
Dr. Albert Nilo comenta que 96,8% dos casos envolvem depressão, ansiedade ou outros problemas mentais. Ele cita que a puberdade precoce e o estresse da escola são fatores biológicos importantes. A cultura do


Suicídio (IA)





